Maria é sinal de que Deus não nos abandona

Neste ano de 2010, celebramos sessenta anos da definição solene do Dogma da Assunção de Nossa Senhora em Corpo e Alma ao Céu. Esta celebração litúrgica é uma das mais antigas festas marianas. Na verdade, a Igreja sempre acreditou e defendeu, que, após a morte, a Bem-Aventurada Virgem Maria subiu à glória do céu em corpo e alma, mas só em 1950 o Papa Pio XII proclamou através da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, em 1° de novembro a Assunção de Nossa Senhora, como dogma de fé: a Santa Mãe de Deus, a Arca da Nova Aliança, intimamente associada ao sofrimento e à morte de Cristo, foi também e, desde logo, associada à Sua gloriosa Ressurreição.

Na homilia em Gastel Gandolfo, no dia 15/08/10, o Papa Bento XVI falou que “No final de sua vida, Maria foi levada em corpo e alma ao céu, ou seja, à gloria da vida eterna, na plena e perfeita comunhão com Deus”. Desta forma A Mãe de Deus foi inserida no Mistério de Cristo e participa da Ressurreição de seu Filho. Continuou o Santo Padre: “Nós cremos que Maria, como Cristo seu Filho, venceu a morte e triunfa na gloria celeste na totalidade de seu ser, em alma e corpo“.

Podemos perguntar, quais são as raízes desta vitória sobre a morte antecipada em Maria? “As raízes estão na fé da Virgem de Nazaré, uma fé que é obediência à Palavra de Deus e abandono total à iniciativa e à ação divina. A fé é a grandeza de Maria, como proclama alegremente Isabel: Maria é bendita entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre, porque é a Mãe do Senhor, porque crê e vive de maneira única a primeira das bem-aventuranças, a bem-aventurança da fé” – frisou Bento XVI.

Estamos numa fase dos Exercícios Espirituais na Vida Cotidiana, a “Contemplação para Alcançar o Amor” e somos chamados a olhar o que o Senhor, em seu amor, quis também para nós, para o nosso destino final: “viver através da fé na comunhão perfeita de amor com Ele e assim viver realmente para sempre. É o seu amor que vence a morte e nos doa a eternidade, é este amor que chamamos céu” (cf. Papa Bento XVI, na homilia em Gastel Gandolfo). Então, a lembrança do Dogma da Assunção de Nossa Senhora, nos recorda que Deus, o Deus que se fez homem, não nos abandona nem mesmo na morte e depois da morte, mas Ele tem um lugar para nós e nos doa a eternidade.

Desta forma, as maravilhas, que Deus realizou em Maria de Nazaré, introduz-nos no dinamismo e contemplação da esperança da vida eterna, a Vida plena em Deus, após a morte. Na Virgem cheia de Graça, o Verbo Eterno do Pai, Cristo Jesus, fez-se Carne e habitou entre nós. Sua Mãe Imaculada, concebida sem pecado original, não podia, por isso, segundo a fé da Igreja, estar sujeita à corrupção da morte.

S. João Damasceno, monge e grande teólogo do séc. VIII, ilustre doutor da Igreja, dizia em um de seus sermões: “todas as criaturas e nações a devem aplaudir e a celebrar a Mãe de Deus” e, referindo-se à sua morte, afirma: “Ela, que gerou o destruidor da morte, (…) vê aproximar-se sem temor, esta partida luminosa, cheia de vida e de santidade”.

Se hoje, somos convidados a contemplar Maria na glória do Céu, ela também nos convida a imitar as suas sublimes virtudes, como modelo de fé e de amor a Cristo e aos irmãos.

No Evangelho de Lucas, cf Lc 1,39-56, contemplamos a jovem Maria de Nazaré, subir apressadamente a montanha da Judéia para ajudar sua prima Isabel, que estava grávida. O “Sim” incondicional de Maria a Deus, abre-lhe um horizonte imprevisível de total doação e serviço aos outros. A sua fé profunda e viva é dinâmica: cheia de amor e de alegria corre a visitar e a ajudar Isabel.

O encontro feliz entre as duas mães ficou célebre na História da Salvação. Maria e Isabel irrompem em cânticos de louvor. É a festa do Amor e da Alegria, porque Aquele que é a Vida e a Luz do mundo, está a chegar! Mistério de Amor, que as mães celebram, agradecidas!

“No céu temos uma Mãe. O céu está aberto, o céu tem um coração” cf. Papa Bento XVI.

por Eduardo L. Caridade