Páscoa da Ressurreição do Senhor: Vigília Pascal na Noite Santa.

Giordano, Luca, Resurrection, after 1665 - Residenzgalerie, Salzburg

Mc 16,1-7: 1Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus. 2E no primeiro dia da semana, foram muito cedo ao sepulcro, mal o sol havia despontado. 3E diziam entre si: Quem nos há de remover a pedra da entrada do sepulcro? 4Levantando os olhos, elas viram removida a pedra, que era muito grande. 5Entrando no sepulcro, viram, sentado do lado direito, um jovem, vestido de roupas brancas, e assustaram-se. 6Ele lhes falou: Não tenhais medo. Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram. 7Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galiléia. Lá o vereis como vos disse.

Comentando:

O Túmulo vazio e a Mensagem do Anjo

O descanso sabático, segundo a Lei de Moisés, tinha caráter religioso e de certo modo, também social, com a finalidade dos Israelitas poderem se dedicar à oração e ao culto a Deus, e também como uma maneira de proteger o descanso dos trabalhadores. Com o tempo, os rabinos começaram a definir as coisas que se podiam e não se podiam fazer. Por este motivo, as santas mulheres não puderam fazer no sábado, os trabalhos de embalsamar o corpo do Senhor, e tiveram de esperar o primeiro dia da semana.

Desde os primeiros tempos da Igreja, este primeiro dia é chamado domingo, “dies Domini” – Dia do Senhor, porque “depois da tristeza de sábado, resplandece um dia feliz, o primeiro entre todos, iluminado com a primeira das luzes, já que nela se realiza o triunfo de Cristo Ressuscitado” (São Jerônimo,†420). Esta é a razão porque a Igreja designou o domingo como dia especial consagrado ao Senhor.

Normalmente, os judeus ricos construíam seus túmulos em terrenos da sua propriedade. A maioria destes túmulos estava escavada na rocha, em forma de caverna; compreendiam uma pequena entrada e o túmulo propriamente dito. A entrada, que costumava medir poucos metros, era uma porta muito baixa dava acesso à câmara sepulcral. Além disso, esta porta de entrada, feita ao nível do terreno, era fechada com uma grande pedra giratória chamada “gobel”, colocada na ranhura sobre a qual se movia.

O único evangelista que fala que as mulheres encontraram um anjo, foi a narrativa de São Mateus. Marcos e Lucas apenas falam que as mulheres viram um jovem. A veste branca que o jovem vestia nos recorda o episódio da transfiguração: “transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as pode fazer assim tão brancas”. (Mc 9,3).

O amor delicado destas mulheres as deixa estimuladas, na medida em que a Lei as permite, a ir embalsamar o corpo morto de Jesus. O mesmo amor faz com que não reparem em dificuldades. E o Senhor premia a delicadeza destas mulheres, a serem as primeiras que teriam notícia da Sua Ressurreição. Com efeito, as mulheres, nos momentos tremendos da Paixão e da Morte de Jesus, mostram-se mais fortes que os homens.

Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado”, estas são as palavras do anjo para anunciar o triunfo glorioso da Sua Ressurreição. Desta forma, o Evangelista Marcos dá testemunho da identidade do Crucificado e do Ressuscitado. O corpo de Jesus, sobre o qual se enfureceram os homens, tem agora vida imortal.

“Ressuscitou”: A Ressurreição gloriosa de Jesus Cristo é o mistério central de nossa fé: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, é também vã a vossa fé” (1Cor 15,14). É também o fundamento da nossa esperança: “Porque, se só para esta vida temos posta a nossa esperança em Cristo, somos os mais desgraçados de todos os homens” (1Cor 15,17.19). A Ressurreição é a vitória de Cristo sobre a morte, o pecado, a dor e o poder do demônio.

A Redenção que o Senhor realizou na Sua Morte e Ressurreição aplica sobre nós cristãos, por meio dos Sacramentos, especialmente: Batismo e Eucaristia: “Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova”. (Rom 6,4). “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”. (Jo 6,54). A Ressurreição de Cristo dá também regra para nossa vida: “1Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. 2Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra”. (Col 3,1-2).

O que quer dizer Ressuscitar com Cristo? – “Assim como Jesus Cristo, por meio da Sua Ressurreição começou uma vida nova imortal e celeste, assim nós temos que começar uma vida nova, segundo o Espírito, renunciando totalmente e para sempre ao pecado e a tudo o que nos leva ao pecado, amando só a Deus e tudo que nos leva a Deus” (São Pio X, †1914).

Interessante, que no final do texto é citado o nome do apóstolo Pedro, como uma maneira de destacar a sua figura de líder sobre os demais apóstolos, precisamente nestes momentos em que a perturbação e o desalento tomavam conta de todos que seguiam a Jesus. É também uma maneira de mostrar que Pedro foi perdoado das suas negações e uma confirmação do seu primado apostólico.

Uma Santa e Feliz Páscoa!