Primeiro Mandamento da Igreja

PRIMEIRO MANDAMENTO:

Participar de missa inteira nos domingos e festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho(CIC 1247; CCE 2042).

Razão: Ordena aos fiéis que santifiquem o dia em que se comemora a ressurreição do Senhor e as festas litúrgicas em honra dos mistérios do Senhor, da Santíssima Virgem Maria e dos santos. Em primeiro lugar participando da celebração eucarística, em que se reúne a comunidade cristã, e se abstendo de trabalhos e negócios que possam impedir a santificação desses dias. (CCE 2042).

É preceito de lei natural que reservemos uma parte de nosso tempo para o louvor e o culto a Deus.  Isto foi enfatizado no Terceiro mandamento da Lei de Deus.

A Igreja julgou conveniente concretizar este terceiro mandamento da maneira acima, e é no cumprimento deste preceito que os cristãos encontram não somente um dever mas um imenso privilégio, uma honra imensa, pois para santificar o Domingo e os outros dias festivos, participamos do mais perfeito culto de adoração e louvor ao Pai, através da atualização do sacrifício de nosso Senhor Jesus Cristo – a Santa Missa (CIC 897).

Nas primeiras comunidades este preceito natural era bem compreendido e obedecido, mas com o tempo foi sendo esquecido e a Igreja viu-se na obrigação de, no século V, decretar o preceito de assistência (participação) à missa.

Este mandamento obriga – sob pena de pecado mortal – a todos os fiéis com uso da razão e acima de sete anos, que possuam capacidades físicas que permitam o comparecimento na Igreja.

 

Cumprimento do preceito:

Dia previsto: domingo, passado o dia deixa de obrigar, portanto, aquele que deixou de participar da missa dominical, não tem obrigação de ir no dia seguinte, nem cumpre o preceito por ir noutro dia qualquer.  O preceito será cumprido participando-se da missa na tarde de sábado ou no dia anterior à festa de preceito (após 16:00 h.), desde que sejam utilizadas as leituras do dia de preceito. (CIC 1248)

Presença corporal: deve-se estar presente na Igreja; não cumpre o preceito quem acompanha (assiste) a missa por rádio ou TV.

Integridade: deve-se participar da missa inteira; é pecado grave omitir, por negligência ou desprezo, parte da missa, seja ela qual for.  Cometem verdadeiro abuso os que omitem sistemática e deliberadamente uma parte da missa (mais freqüentemente a homilia), chegando após ou ausentando-se durante a mesma.

Atenção exterior: a atenção pode ser exterior – evitar coisas incompatíveis com a missa como leituras, conversas, dormir, ver os vitrais, etc – ou interior – participar ativamente das diversas partes da missa.  Quem assiste à missa guardando a atenção e compostura exterior, ainda que a mente “esteja longe” cumpre o essencial do preceito.  Entretanto, não cumprirá a finalidade querida ou pretendida pela Igreja –  “participar da missa e não simplesmente assistir”  (SC 48).

Devoção: para se tirar bons frutos devemos assistir a missa com espírito de fé e sentimentos de piedade – “nunca deveríamos ser os mesmos após a missa”.  Evidentemente, quanto mais unidos estivermos a Jesus que se imola no altar, na figura do sacerdote, mais nos uniremos ao seu sacrifício e consequentemente mais frutos obteremos para nossa santificação e salvação.

 

Dispensa:

Impossibilidade física – doenças, quem vive muito longe e não dispõe de transporte ou não suporta a viagem, etc.

Grave necessidade privada ou pública – os que tratam de doentes ou crianças muito pequenas que não podem dispensar a assistência, os que trabalham em atividades essenciais ou urgentes.  Nestes casos o fiel deverá empenhar-se em superar a dificuldade ou assistir a missa em outro horário ou dia anterior.

Grave incômodo ou prejuízo – se para assistir à missa se tiver que sofrer grave dano para si mesmo ou para o próximo.

 

Dispensa por um sacerdote ou bispo.

As regras acima fornecidas nem sempre são facilmente aplicáveis em virtude do grande número de particularidades que poderão surgir na prática.  Será importante que o fiel faça todo o possível para que o impedimento ao cumprimento do preceito seja superado.  Nos casos especiais e para um discernimento mais apropriado aconselha-se orientação com sacerdote.

Referências Bibliográficas.

  • AQUINO, F.  A Moral Católica e os Dez Mandamentos. Cléofas, São Paulo, 2005.
  • BETTENCOURT, E.T.  Curso de Teologia Moral.  Escola “Mater Ecclesiae”.
  • Catecismo da Igreja Católica.  9ª edição. Ed. Vozes, Rio de Janeiro, 1997. nº 2052- 2557.

Texto elaborado por Luiz Maurício Teixeira Osório