Santíssimo Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, solenidade

Jo 6,51-58: “O Pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo”. (23.jun.2011)

51Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo. 52A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne? 53Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. 54Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. 55Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. 56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. 58Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente.

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Comentando:

Na narrativa destas palavras de Jesus pelo Evangelista João, somos introduzidos no centro de um “mysterium tremendum”, onde somente pela nossa fé, poderemos vislumbrar a beleza de poder dizer que é razoável crer, pois, a comunhão é o verdadeiro banquete, onde participamos no banquete de Cristo.

O Senhor fala, mas os homens não crêem nas afirmações de Jesus, por isto discutem. Imaginamos o que possam falar: – “Este homem é um louco, como pode dar de comer a sua carne”. Uma pena! O homem não entende o simbolismo das palavras de Jesus. E, até hoje não se esforçam por entender e ficam buscando soluções nas coisas do mundo. Grande engano!

Jesus percebendo que os homens não estão entendendo suas colocações insiste (cf. v.53) com veemência. Podemos experimentar com a nossa vida, pois, quando casamos e constituímos uma família e daí surge os filhos, nos preocupamos com eles, os sustentamos até a idade adulta, procurando dar alimentos e meios para que possam chegar à maturidade. Da mesma forma, Jesus fala a seus discípulos da necessidade de receber a Eucaristia, pois este será o sustento, o alimento verdadeiro, onde podemos desenvolver a vida da graça, que um dia recebemos no batismo.

Jesus quer se unir a nós neste Sacramento, porque o amor sempre aspira e tende à união. Ainda que não O vejamos, Ele olha para nós e se encontra realmente presente, em corpo, alma e divindade, para que O desejemos. Enriquece-nos muito o refrão da canção “Eu quisera”:

O desejo de ver-te adorado,
Tanto invade o meu coração,
Que eu quisera estar noite e dia
A teus pés em humilde oração.

Como o alimento corporal é necessário para a vida terrena, a Sagrada Comunhão é necessária para a vida da alma. Por isto a insistência da Igreja para que recebamos este Sacramento, em estado de graça e com freqüência. “Pois os fiéis, unidos a Deus, em virtude deste Sacramento, tirem dele força para dominar a sensualidade, para se purificarem das culpas leves quotidianas e para se evitar os pecados graves, a que está sujeita a fragilidade humana” (Mysterium fidei, Papa Paulo VI).

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (v.56). Este trecho nos mostra o efeito mais importante da Eucaristia, a “Comunhão”. Estar n’Ele e Ele em mim, é uma verdadeira “sinergia”, pois se em todos os Sacramentos, por meio da graça que recebemos, se consolida nossa união com Jesus, acontece de maneira mais intensa na Eucaristia, pois não recebemos só a graça, mas o próprio autor da graça.

Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim (v.57). A Pessoa do Verbo, que é a união da Sua natureza humana com a natureza divina, nos faz participar pela Eucaristia, na Sua divindade. Grande mistério de nossa fé, tamanha proximidade com nosso Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo, que recebemos no banquete eucarístico.

“Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram”. No v.59, Jesus pela terceira vez compara o verdadeiro pão da vida, o Seu próprio Corpo, com o maná, com que Deus tinha alimentado os Hebreus diariamente durante quarenta anos no deserto. Outras vezes Jesus havia feito esta comparação (cf. Jo 6,31-32 e Jo 6,49). Mas, a mensagem que fica para colocarmos em prática será: “Quem come deste pão viverá eternamente”.

Que a Eucaristia seja a nossa força!

Figura:
The Holy Eucharist (Nikolai Kharlamov, no date (1890s?)
frescoes from the Church on the Blood in St Petersburg