Atos dos Apóstolos 1,6-11

ASCENSÃO (6-11)

6-8: “6Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel? 7Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder, 8mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.”

A pergunta dos Apóstolos indica que ainda pensam numa restauração temporal da dinastia de David. A esperança escatológica no Reino parece reduzir para eles a expectação de um domínio nacional judaico amplo e universal como a diáspora. Mas, é admirável a resposta do Senhor que, cheio de paciência, lhes fala do caráter misterioso do Reino e da sua imprevisível vinda, assim como da necessidade que têm o Espírito Santo para compreenderem adequadamente os ensinamentos que receberam.

No v.8 o autor anuncia o plano do Livro dos Atos: narrar o desenvolvimento da Igreja, que começa em Jerusalém e vai se estender a Judeia, Samaria e até os confins da terra. Repare o esquema geográfico de São Lucas. Se Jerusalém é no terceiro Evangelho o ponto de chegada da vida pública de Jesus – que partiu da Galileia – aqui é o ponto de partida.

A missão dos Apóstolos estende-se ao mundo inteiro. Para além da geografia. Esta era a esperança universal do AT anunciada por Isaías (cf. Is. 2,2-3)

9-11: “9Dizendo isso elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos. 10Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: 11Homens da Galileia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu.”

A vida de Jesus na terra não se conclui com a sua Morte na Cruz, mas com a Ascensão aos Céus. Este é o último acontecimento, mistério da vida do Senhor na terra. A Ascensão situa-se no termo da existência terrena de Jesus (cf. Lc 24,50-53) e nas origens ada Igreja. A Ascensão desenvolve-se entre o Céu e a terra, onde surge uma ‘nuvem’, que simboliza o próprio céu; a nuvem acompanha as teofanias, as manifestações de Deus, tanto no AT (cf. Ex 13,22) e NT (cf. Lc 9,34s).

A Ascensão do Senhor faz parte dos fatos pelos quais Jesus Cristo nos redime do pecado e nos concede a vida nova da graça. A subida do Senhor ao Céu não é apenas um estímulo para que levantemos o coração, tal como somos convidados a fazer no prefácio da Santa Missa, com o fim de buscar e amar as “coisas lá de cima” (cf. Col 3,1-2). Com a Ascensão culmina a exaltação de Cristo, que já se realiza na Ressurreição, e que constitui, juntamente com a Paixão e Morte, o Mistério Pascal.

Homens vestidos de branco, são Anjos e se referem à Parusia, isto é, a segunda vinda do Senhor como Juiz dos vivos e dos mortos. ‘Porque olham para o céu’: palavras cheias de solicitude, mas não dizem que a segunda vinda está próxima. Apenas, afirmam a certeza de que Jesus virá de novo e que devemos ter confiança, e saber esperar. Não conhecemos “nem o dia, nem a hora” (Mt 25,13).