Ap 6,1-17

SEGUNDA PARTE

ACONTECIMENTOS PRÉVIOS AO DESENLACE FINAL

Conjunto de visões até o som da última trombeta (6,1-11,14);

Depois de apresentar a visão do Céu e Cristo Ressuscitado com o poder de revelar os mistérios do plano de Deus, o autor começa agora a expor tal revelação, de forma progressiva, segundo se vão abrindo cada um dos sete selos. Nesta primeira seção, a abertura dos seis primeiros selos, o advento do dia da ira de Deus, precedido por calamidades naturais e sociais que antecipam o juízo de Deus sobre a humanidade.

Depois, ao ritmo do soar das trombetas que anunciam a vinda de Deus, surge outras séries de catástrofes comparáveis as pragas do Egito. E, no fim desta seção, o autor ressalta, como passagem para a seção seguinte, o caráter profético das suas palavras, diante do que parece a vitória do mal, simbolizada na morte de duas testemunhas.

O CORDEIRO ABRE OS QUATRO PRIMEIROS SELOS

OS QUATRO CAVALEIROS

1Eu vi quando o Cordeiro abriu o primeiro dos sete selos; ouvi o primeiro dos quatro seres vivos gritar com voz semelhante a um trovão: “Vem!” 2E vi um cavalo branco. Quem o montava tinha um arco; foi-lhe dada uma coroa e ele partiu como vencedor, e para vencer ainda. 3Quando ele abriu o segundo selo, ouvi o segundo ser vivo dizer: “Vem!” 4Saiu então um outro cavalo, vermelho. A quem o montava foi dado o poder de banir da terra a paz, para que os homens se matassem entre si, e foi-lhe dada uma grande espada. 5Quando ele abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivo gritar: “Vem!” E vi um cavalo preto. E quem o montava tinha na mão uma balança. 6Ouvi então uma voz, vinda do meio dos quatro seres vivos, que dizia: “Um litro de trigo por um denário e três litros de cevada por um denário! Não causes dano nem ao vinho, nem ao azeite!” 7Quando ele abriu o quarto selo, ouvi o grito do quarto ser vivo, que dizia: “Vem!” 8E vi um cavalo esverdeado. E quem o montava chamava-se a Morte; e a morada dos mortos a acompanhava. E foi-lhe dado poder sobre a quarta parte da terra, para exterminar pela espada, pela fome, pela peste e pelas feras da terra.

1-8. Os quatro primeiros selos têm alguns traços comuns: ao ser abertos, aparece cada vez um cavalo de diferente cor, montado por um ginete; e é sempre um dos quatro seres que, com a sua voz de comando, dá passagem a cada um dos quatro cavalos.

O primeiro ginete, apresenta alguma dificuldade de interpretação: os traços com que é descrito fazem pensar numa potência ao serviço de Deus, onde a cor branca, é de pertença o mundo celeste e da vitória com a ajuda de Deus. A coroa exprime o bem sobre o mal. Finalmente, o arco que tem nas mãos manifesta a relação deste primeiro cavalo com os outros três: estes serão como flechas lançadas de longe, que cumprem os desígnios da justiça divina.

O segundo ginete leva uma espada que significa a guerra (Mt 10,34), alude às guerras que nessa época se davam no Império romano; o terceiro uma balança, símbolo da fome (consequência do pecado), com exorbitante subida do preço do trigo e da cevada, alimentos básicos na época; e o quarto, pela cor do cavalo, representa a peste. São castigos divinos já anunciados no AT.

Cavalo esverdeado”, cavalo com cor estranha, esta cor é na tradução portuguesa, mas pode ser cinzento, quer dizer uma cor cadavérica. A morte é personificada no ginete sinistro que o monta, é o Hades ou Sheol, lugar tenebroso, onde repousam os mortos.

O QUINTO SELO. A ORAÇÃO DOS MÁRTIRES

9Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas daqueles que foram imolados por causa da palavra de Deus e do testemunho que tinham dado. 10Eles clamaram em alta voz: “Até quando, Senhor santo e verdadeiro, tardareis a fazer justiça e a vingar nosso sangue contra os habitantes da terra?” 11Então foi dada a cada um deles uma veste branca e foi-lhes dito também que tivessem ainda um pouco de paciência, até que se completasse o número de seus companheiros no serviço e de seus irmãos que iriam ser mortos como eles.

9-11. Nesta visão contempla São João todos aqueles que deram a vida cruentamente pela causa de Deus. Inclui os mártires do AT, desde Abel até Zacarias, e os mártires cristãos de todos os tempos; os vê debaixo do altar dos holocaustos no qual sacrificavam as vítimas em honra de Deus e cujo sangue se derramava ali, recolhendo-se sob o altar.

A presença dos mártires no Céu prova que, quando o homem morre, a sua alma recebe o prêmio ou o castigo imediatamente depois de sua morte. A petição dos mártires a Deus é um clamor a pedir justiça, que só acontecerá com o corpo glorioso no Juízo final.

O SEXTO SELO

12Vi quando abriu o sexto selo: houve um violento terremoto, e o sol se tornou preto como um saco de crina e a lua se tornou toda ela como sangue; 13as estrelas do céu caíram sobre a terra como os figos ainda verdes que a figueira deixa cair quando agitada pela tempestade; 14o céu se retirou como um volume que é enrolado, e todos os montes e ilhas se deslocaram de seus lugares. 15Então os reis da terra, os nobres, os comandantes, os ricos, os poderosos, todos enfim, escravos ou livres, foram esconder-se nas cavernas e entre os rochedos das montanhas, 16dizendo às montanhas e aos rochedos: “Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que está sentado no trono e da cólera do Cordeiro. 17Porque chegou o grande dia de sua cólera, e quem poderá ficar de pé?”

12-17. Anunciam-se os acontecimentos prévios à segunda vinde do Senhor. Mas, ainda não é o fim, embora esteja próximo. As terríveis imagens citadas, já foram empregadas no AT (Am 8,9; Is 13,9ss; 34,4; 50,3; Jn 3,4). Os acontecimentos são fortes, os homens fogem e desejam a morte. Da mesma forma Jesus falou às mulheres de Jerusalém, que choravam quando Jesus ia em direção ao calvário.

No v.15 são nomeados sete grupos sociais que abarcam todo o gênero humano, desde os poderosos aos mais fracos. Ninguém escapará do juízo de Deus. e o dies irae, o dia da cólera do Cordeiro.