Ap 7,1-17

SEGUNDA PARTE

ACONTECIMENTOS PRÉVIOS AO DESENLACE FINAL

A GRANDE MULTIDÃO DO SALVOS

1Depois disso vi quatro anjos, de pé nos quatro cantos da terra, segurando os quatro ventos da terra, para que não soprasse nenhum vento sobre a terra, nem sobre o mar, nem sobre árvore alguma. 2Depois, vi outro anjo que subia do Oriente, trazendo o selo do Deus vivo; com voz bem forte, gritou para os quatro anjos que tinham recebido o poder de causar danos à terra e ao mar: 3“Não causeis danos à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que marquemos com o selo a fronte dos servos de nosso Deus!” 4E eu ouvi o número dos que foram marcados: eram cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos israelitas. 5Da tribo de Judá, doze mil; da tribo de Rúben, doze mil; da tribo de Gad, doze mil; 6da tribo de Aser, doze mil; da tribo de Neftali, doze mil; da tribo de Manassés, doze mil; 7da tribo de Simeão, doze mil; da tribo de Levi, doze mil; da tribo de Issacar, doze mil; 8da tribo de Zabulon, doze mil; da tribo de José, doze mil; da tribo de Benjamim, doze mil.

Ap 7,1-8

1-8. Na tradição judaica os Anjos se dividem em duas categorias: os da presença e santificação, e os encarregados das forças da natureza. Segundo o costume da época, a “marca” significa a pertença à pessoa proprietária do selo. Quer indicar, se os 144 Mil pertencem a Deus, Ele irá proteger como propriedade Sua (cf. Ez 9,17), onde os habitantes de Jerusalém: alguns seriam selados com um tau (última letra do alfabeto hebraico) na fronte.

Os Padres da Igreja viram neste sinal, o caráter batismal dos fiéis, destinados pela vocação cristã para a vida eterna. Na enumeração das tribos, há diferença em relação a ordem de Gn 29. Em primeiro lugar vem “Judá”, foi desta tribo nasceu o Messias. A tribo de “Dan” foi suprimida, por ter se tornado idólatra (Jz 17-18), acabando a se desaparecer. Para completar então o número de doze, desdobra-se a tribo de “José” e a de “Manassés”, seu primogênito.

O número dos selados (12x12x1000) significa plenitude, é o novo Israel. Estão incluídos, todos os descendentes de Jacó, que recebem o Batismo, sem distinção de tempo. Não se deve entender est número na estrita literalidade. Aqui não se incluem os gentios, que se incorporam na Igreja ao longo da história. Mas, aparecerão na visão seguinte.

9Depois disso vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua. Estavam de pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de branco e com palmas na mão, 10e gritavam bem alto: “A salvação pertence a nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro!” 11E todos os anjos reunidos ao redor do trono e dos anciãos e dos quatro seres vivos prostraram-se com a face em terra diante do trono e adoraram a Deus, 12dizendo: “Amém! A nosso Deus pertencem o louvor, a glória, a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pelos séculos dos séculos! Amém!” 13Um dos anciãos dirigiu-se a mim perguntando-me: “Quem são e de onde vieram estes que estão vestidos de branco?” 14Eu lhe respondi: “Meu Senhor, tu o sabes!” Ele, então, me explicou: “Estes são os que vêm da grande tribulação e lavaram suas vestes e as tornaram brancas no sangue do Cordeiro. 15Por isso estão diante do trono de Deus, servindo-o noite e dia em seu templo; e aquele que está sentado no trono estenderá sua tenda sobre eles. 16Não terão mais fome, nem sede; nem o sol os afligirá, nem ardor algum, 17pois o Cordeiro que está no meio do trono será seu Pastor e os conduzirá às fontes de água viva. E Deus enxugará toda lágrima de seus olhos”.

Ap 7 ,9-17

9-17. As pessoas vestidas de branco que João vê com olhar profético, são os redimidos e constituem uma “multidão” imensa, cujo número é incalculável e cuja proveniência é variadíssima. De qualquer forma, cada homem há de unir-se à Paixão de Cristo por meio do sofrimento.

É consolador e estimulante saber que os chegaram ao Céu constituem uma multidão imensa. À luz desta visão há que interpretar Mt 7,14 e Lc 13,24, que diz que serão poucos os que se salvam, já que o Sangue de Cristo é instrumento eficaz, que quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (1Tm 2,4).

Nos vv. 14-17 aparecem os bem-aventurados em duas situações: a primeira, antes da ressurreição da carne (v.14), e a segunda, quando, depois da ressurreição universal, o corpo se tiver unido à alma (vv. 15-17). A finalidade da revelação desta cena consoladora é fomentar o afã de imitar estes cristãos, que foram como nós e que agora se encontram já vitoriosos no Céu.