Movida pelo Espírito Santo

A Editora Santuário em parceria com a Academia Marial de Aparecida, vem publicando a Coleção História de Maria, de onde aproveitamos o belo texto da professora emérita Lina Boff, da PUC-Rio, que em perspectiva evangelizadora pastoral nos fala de Maria no movimento do Espírito Santo. Este é o segundo volume da obra, editado pela Ed. Santuário-2020.

Maria no movimento do Espirito em Mateus

O Evangelista Mateus, na sua genealogia, pretende explicar a origem humana de Jesus a sua comunidade (Mt 1,12-13.15-16), onde podemos observar o protagonismo do Espírito Santo em dois momentos: 1) na genealogia; 2) em José.

No primeiro protagonismo, se destaca a aceitação de Maria, que permite ao Espírito Santo alterar as circunstâncias do povo em expectativa messiânica, onde se institui a Nova Aliança. Já o segundo protagonismo, acontece em José (Mt 1,18), onde o Anjo do Senhor, será o símbolo da dinâmica do Espírito, que promove um forte silêncio em José, culminando com a citação do profeta Isaías (Is 7,14).

Observamos neste movimento do Espírito: a adesão de Maria ao projeto do Pai e a brusca interrupção da descendência de Davi, ode irá se irromper a fé incondicional de José, onde entende o projeto do Pai.

Maria no movimento do Espírito em Lucas

O Espírito cobre a jovem de Nazaré, onde a carne de Maria se faz morada do Espírito Santo (Lc 1,26-38), e a jovem mãe passa a ser o movimento de junção entre o céu e a terra, “acarreta,ndo em nossa prática evangelizadora e pastoral de nossas comunidades” (Puebla, 301)

O Espírito movimenta o casal de Nazaré, pois apresentam Jesus a Deus Pai no Templo (Lc 2,26-27), como ato de anúncio de alegria e também de purificação de todo o povo de Israel para bem receber esse anúncio de júbilo.

O Espírito desconhece a lentidão, pois impulsiona Maria a uma visita a Isabel e parte com sua comitiva às montanhas, em direção a Ein Kerem, vai, levando a primeira semente da Igreja. Ainda que a maternidade de Maria seja precedida pelas tantas maternidades das matriarcas do Antigo Testamento, a maternidade humana e divina da jovem de Nazaré é única.

A mulher Maria ouviu a voz da mulher Isabel, onde profetizam sob a inspiração do mesmo Espírito, que habita em seus filhos, e ambas se deixam envolver pelo movimento do Espírito que é dynamis. De mulher para mulher, a bênção que as duas se intercambiaram, acarreta bênçãos sobre o povo fiel.

Maria, a mulher leiga no movimento do Espirito, juntamente com outras mulheres na comunidade de fé à espera de Pentecostes, onde Maria torna-se ícone de participação das funções salvíficas de Cristo, com evidência, o múnus sacerdotal (cf. Rm 12,1). Participa do múnus do sacerdócio régio de Cristo por ser membro da Igreja; a função do múnus profético, se realiza no Magnificat proclamado por ela em ação de graças; a função do múnus real de Cristo, se distingue em Maria, pelo seu serviço concreto, onde passa a ser protótipo a todos os cristãos. As três funções, sacerdotal, profética e real de Cristo são exercidas por nós, batizados e batizadas. Maria responde a cada uma dessas interpelações como mulher leiga de seu tempo.

Um jeito mariano de evangelizar

Ancorados pela Exortação Apostólica “O Evangelho da Alegria“, onde o Papa Francisco dedica diversos parágrafos a Maria, mostrando que o Espírito que desce em Maria movimenta a evangelização pastoral, fazendo de Maria, a Mãe da evangelização e se torna próxima de cada pessoa, apontando uma Igreja em saída de suas sacristias e de seus seculares modos de fazer evangelização, que não deixa o povo crescer segunda a vocação recebida no batismo.

Maria, é geradora do autor da Nova Criação, pois gera filhos e filhas ao pé da Cruz, incitando em nós, três elementos evangelizadores: 1) continuidade no modo de gerar filhos e filhas para o Corpo Místico de Cristo, sob a inspiração mariana; 2) o fato de nos tornarmos pais e mães espiritualmente abertos ao Espírito Santo; 3) cria-se novos métodos de nos aproximar do povo com gratuidade do serviço.

Maria, é mestra que ultrapassa os tempos, pois é figura da Igreja e sua realização se dá nas bodas que Deus realiza com seu povo. Está aí o aspecto evangelizador: “No tabernáculo do seio de Maria, o Cristo habitou durante nove meses; no tabernáculo da fé do povo, habitará até o fim do mundo; e no amor da pessoa fiel, habitará pelos séculos dos séculos“.

Maria é transformadora de situações complexas, pois consegue fazer de um curral doméstico de animais uma casa acolhedora para seu filho, ensinando a cada um de nós sobre o aspecto evangelizador, devemos criar novas situações para o processo evangelizador de nosso povo, que é uma necessidade urgente a nossos dias. Maria, também, atenta as necessidades humanas, não deixa faltar o vinho, “é amiga solícita para que não falte o vinho em nossa vida“, ensinando a que tenhamos paciência histórica com o lento caminhar evangelizador de nosso povo e não deixemos de insistir com aquele que pode fazer da água vinho e braços para o Reino.

Maria, deixa-se olhar por todos, pois quantas Romarias a procuram , para deixar se olhar pela ternura de seus olhos. Diz a canção: “Sou caipira Pirapora, Nossa Senhora de Aparecida! Ilumina a mina escura e funda, o trem da minha vida“. Nosso trabalho evangelizador não pode perder de vista esta mobilidade interior de nossa fé.

Mulher que fala às multidões e a muitos públicos. Mas, no processo de evangelização, não podemos afirmar que Maria tenha falado para um público como a mulher de hoje. Mas, também não foi muda. Ela silenciou. E este silêncio, chega até nós sugerindo, a não fazer longas pregações, mas sim, deixar espaço para o Espírito nos conduzir pelos caminhos da revelação do Pai,

Por fim, Maria, é criadora de um jeito mariano de evangelizar, se voltarmos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto (Evangelii Gaudium, 288). Nas palavras do Magnificat, nos falam em alta voz, sobre o modo mariano de evangelizar, afirmando de que a pobreza que tira a dignidade das pessoas é programada pelos poderosos; que os pobres e os humilhados são apenas um dos resultados de tal programação. Então, devemos denunciar os programas de morte, os escândalos públicos de todos os segmentos da sociedade, sejam eles de natureza religiosa ou política

Conclusão

Um estilo mariano de evangelizar, nossa pastoral deve ter estilo de “uma Igreja em saída”, deixando ser movimentado pelo Espírito. O mesmo Espírito que desceu na Anunciação, esteve junto a Ele durante a vida oculta e pública, até a sua morte e ressurreição.

Salve Maria!