Regras de Discernimento dos Espíritos (1)

3ª Regra – A Consolação Espiritual

Chamo consolação, quando se produz alguma moção interior, pela qual a pessoa se inflama no amor de seu Criador e Senhor, e, portanto, quando não pode amar em si mesma nenhuma coisa criada na face da terra, exceto no Criador de todas elas. E, também, quando derrama lágrimas, motivadas pelo amor do seu Senhor, ou pela dor dos seus pecados, ou pela Paixão de Cristo nosso Senhor, ou por outras coisas diretamente ordenadas a seu serviço e louvor. Enfim, chamo consolação todo aumento de fé, esperança e caridade, bem como toda a alegria interna, que chama a atrai para as coisas celestes e para a salvação da própria pessoa, aquietando-a e pacificando-a em seu Criador e Senhor. (EE 316)

  • Na concepção inaciana, a consolação espiritual “tem sentido dinâmico; significa sempre um progresso espiritual ascensional, um crescimento no Espírito; é preciso considerá-la na ordem da graça, e não no plano psicológico”.
  • A pessoa se sente em expansão na fé, esperança e amor.
  • Percebe, também, uma dilatação na confiança em Deus e em si. Sente-se com chão (com solo) para caminhar espiritualmente.
  • A consolação orienta a existência inteira para o serviço cada vez mais autêntico e generoso de Deus, para a consagração mais total possível da vida, para a plenitude de Jesus Cristo, no Espírito Santo.
  • A consolação é, pois, uma graça, e como tal, em si, imperceptível; podemos identificá-la somente por meio de seus efeitos.
  • São estes os dois critérios mais importantes para identificar uma consolação espiritual:
    • Crescimento nas virtudes teologais;
    • Alegria interna que atrai para as coisas de Deus, para o bem e para o amor.
Fonte: Escritos de Santo Inácio – Exercícios Espirituais, comentários: Pe. Géza Kövecses,SJ – CEI – Centro de Espiritualidade Inaciana – ITAICI, ago/2000.