ORAÇÃO NO HORTO

Há vários modos de contemplar a paixão de Jesus: Acompanhar um dos evangelhos ou escolher certas passagens. Santo Inácio contempla profundamente os relatos da paixão, pois lhe marcaram profundamente.

Jesus se dirigiu a Jerusalém, mandou preparar a Ceia e se dirigiu livremente ao horto de Getsêmani. Tudo por própria iniciativa.  Mas, a partir da sua prisão ele passa a ser levado de um lugar para outro, como um objeto que não oferece resistência. Ele é levado do horto até Anás; de Anás a Caifás, a Pilatos, a Herodes… até a cruz e, finalmente, até o sepulcro.

Santo Inácio propõe uma contemplação acompanhando Nossa Senhora, até a casa onde está hospedada. E sua última contemplação retoma toda a paixão, considerando a solidão de Nossa Senhora. Talvez o ajude contemplar a Paixão ao lado de Maria, assim como ler o relato em primeira pessoa, sendo Jesus ressuscitado que nos conta seu amor por nós. Não se preocupe em repassar todo o relato, pois Deus pode lhe falar numa cena, numa palavra ou num olhar de Jesus.

Prepare-se para a oração buscando um lugar silencioso e recolhido. Inicie a oração como de costume e peça a graça de comungar com os sentimentos de Jesus que sofre e dá a vida por nós. Leia devagar o texto Mt 26,30-56 acompanhando Jesus e os discípulos da Ceia até o horto, provavelmente propriedade de um amigo dele, onde acostumava se retirar para descansar e orar. Era uma noite de lua cheia.

Jesus disse aos discípulos: Sentai-vos, enquanto eu vou orar ali. Levou consigo Pedro e os filhos de Zebedeu (Tiago e João) e começou a ficar triste e angustiado. Então lhes disse: Estou numa tristeza mortal! Ficai aqui e vigiai comigo… A véspera de um acontecimento doloroso, às vezes é pior que o dia da ocorrência do mesmo. Jesus carregou, nos seus ombros, os nossos sofrimentos e experimentou a maldade profunda do ser humano. Só o Pai estava com ele. Os amigos dormem. Levantai-vos, vamos! Aquele que vai me entregar está chegando…

A traição dos amigos doe nas entranhas: Salve, Rabi! E Judas o beijou… Jesus lhe disse: Amigo, para que vieste?… E o prenderam. Pedro reage, puxa da espada e feriu o servo do sumo sacerdote. Guarda a espada! Então todos os discípulos o abandonaram, e fugiram.

A noite avança… A luz do mundo vai se apagando. Uma pergunta se repete nos evangelhos: Quem é este homem? (Mc 4,41). O próprio Jesus um dia também perguntara: Quem é que eu sou, no dizer da gente?… E vós quem dizeis que eu sou? (Mc 8,29). E Pilatos, ao apresentá-lo à multidão: Eis o homem!(Jo 19,5). A resposta a tantas perguntas é dada por um pagão na hora da morte de Jesus: Na verdade este homem era Filho de Deus!(Mc 15,39). Filho de Deus!

Finalize a contemplação com um colóquio confessando sua fé e seu amor em Jesus de Nazaré…

Depois, faça a revisão da oração e anote as moções que mais o marcaram.

Fonte: Centro de Espiritualidade Inaciana – ITAICI, Vila Kostka