HORIZONTE DE PUEBLA (1)

Segue uma descrição resumida da primeira parte do texto, Opções preferenciais: Solicitude e desprendimento como temas de teologia e diálogo na perspectiva de Puebla, fundamentos bíblicos e ênfases do Papa Francisco, da Doutora em Teologia, Maria Teresa de Freitas Cardoso, publicado na Revista Atualidade Teológica nº 62/2019 – Departamento de Teologia da PUC-Rio.

INTRODUÇÃO

A autora diz que em Puebla, examina-se o contexto da América Latina, os critérios da fé e da práxis cristã e repropõem-se diretrizes pastorais em função da evangelização. Tudo em continuidade a Medellin, promovendo uma evangelização libertadora, a partir da vivência do espírito das bem-aventuranças. Propõe também, uma opção preferencial pelos jovens.

Mais tarde, a contribuição de Puebla, será amadurecida e renovada, em Aparecida, que sinaliza uma mudança de época, lançando-se para uma pastoral da Igreja toda.

HORIZONTE DE PUEBLA

EVANGELIZAÇÃO E OPÇÃO PREFERENCIAL PELOS POBRES

Evangelização nas duas partes do Documento de Puebla:

O propósito não era formar um tratado de teologia dogmática ou pastoral, mas considerar aspectos de maior incidência na evangelização e lançar-se com renovado vigor no serviço de nossos povos, com espírito de comunhão e participação, buscando uma evangelização plena, vivendo a filiação em fraternidade, para que sejamos a imagem viva de Deus dentro da Igreja e no mundo, como sujeitos ativos da história.

No Documento de Puebla, a Parte I, descreve uma visão pastoral sobre a realidade latino-americana, onde em seu Capítulo Primeiro, nos apresenta uma visão histórica desta realidade, mostrando uma Igreja e sua missão, em busca do Reino definitivo; o Capítulo II, concentra-se na visão sócio cultural, partindo-se do Evangelho, onde é preciso discernir as interpelações de Deus nos sinais dos tempos, a dar testemunho, a anunciar e a promover os valores evangélicos, diante do devastador e humilhante flagelo à situação da pobreza e angústias que brotam da falta de respeito à dignidade de ser humano.

O capítulo III, se volta para aspectos da realidade eclesial, levantando indagação sobre o modo da Igreja olhar e interpretar a realidade, se considera o clamor do povo que sofre e reclama justiça, liberdade e respeito. Já no capítulo IV, vislumbra-se a evangelização no futuro dando prioridade à proclamação da Boa-Nova.

Depois, vem uma segunda parte, que discorre sobre os desígnios de Deus para a realidade da América latina. O capítulo I trata do conteúdo da evangelização com as verdades centrais sobre Cristo, sobre a Igreja e sobre o Homem. O capítulo II, desdobra o que seja e como fazer a evangelização. O texto reporta à Evangelii Nuntiandi, acentuando a interpelação recíproca entre o Evangelho e vida.

Aspecto dialogal e uma opção preferencial

Parte III, aborda o tema evangelização pela comunhão e participação, onde no capítulo I, fala de suas linhas de ação; o capítulo II fala diretamente aos agentes, apontando critérios e as ações a empreender. Já o capítulo III, busca os meios a agir.

O capítulo IV, aborda sobre o diálogo para a evangelização, de modo semelhante a encíclica Ecclesiam Suam, de Paulo VI, que trata de diálogo entre cristãos, com os judeus, com todas as pessoas, crentes e não crentes, retomando a Gaudium et Spes, nº 19.

A parte IV do documento trata da ação missionária a serviço, como opção preferencial pelos pobres e pelos jovens e a parte V, fala-se sobre a vida, no dinamismo do espírito.

Na parte IV, podemos sublinhar o capítulo I, que fala da necessidade de conversão de toda a Igreja para uma opção preferencial pelos pobres, no intuito de sua integral libertação; amparado pelo dado bíblico de Jesus ter evangelizado os pobres, que foram os primeiros destinatários da sua missão evangelizadora. O papa João Paulo II, assumia a solidariedade de Cristo com os pobres, citando o canto do Magnificat, pelo seu significado de compromisso e libertação. Cabe destacar também, o compromisso das Comunidades Eclesiais de Base e o potencial evangelizador dos pobres, chamando à conversão. Pois, o ideal da pobreza cristã, cujo modelo teria surgido no Antigo Testamento, será proposto no Novo Testamento, nas bem-aventuranças.