Maria, na Sagrada Escritura (10)

Maria em Paulo

Paulo recorda a mãe de Jesus.

Mas quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à lei.

Gl 4,4

Esse é o primeiro testemunho mariano do Novo Testamento e será destacado a época da definição dos dogmas marianos da maternidade de Maria e da concepção virginal. Aqui será importante o significado de plenitude do tempo.

Datação da epístola

Para alguns, Paulo escreveu antes do ano 49 dC, conhecida como teoria sul-galática, que afirmavam que as igrejas da Galácia, seriam as de Antioquia de Pisídia, Icônio, Listra e Derbe fundadas durante a primeira viagem missionária  (At 13,14-14,23) e visitadas novamente no início da segunda viagem (At 15,36;16,1).

Para outros pesquisadores, a epístola foi escrita nos anos 53/54 ou até 56/57, pertence a corrente norte-galática, pois para estes as comunidades de destino, seriam os distritos de Ancira, Tavium e Pessinunte, que foram organizadas no curso da segunda viagem e visitadas no início da terceira viagem de Paulo (At 16,6; 18,23).

Plenitude do tempo

A menção à mãe de Jesus, é apenas indireta, pois o principal contexto será a encarnação do Filho de Deus. O que pretende Paulo ensinar com esta expressão?

Paulo utiliza uma linguagem afinada com o modo de Deus vir ao encontro do homem, para socorrer a humanidade e para nos tornar plenamente filhos, mesmo depois da experiência do pecado. Deus, se aprofunda nos fatos de nossa história:

  • Escolhe um povo (Israel);
  • Educa este povo, falando-lhe mediante os profetas, que eram seus porta-vozes e “muitas vezes de modos diversos” (Hb 1,1);
  • Aprofunda com suas vivências, com as implicações que tinham no quadro político nacional e internacional do antigo Oriente Médio.

Então, se a salvação do homem realizada por Deus se concretiza na história, é natural falar dos tempos que ritmam e medem a história: séculos – anos – meses – dias – horas.

O Pai envia o seu Filho ao mundo, os tempos do desígnio de Deus atingem a sua plenitude. É a chegada definitiva: terminou a contagem regressiva. Cristo é o ponto ômega. Na sua pessoa, naquilo que ele fez e disse, temos a fase madura da redenção que o Pai nos queria dar. Israel e a humanidade passam da infância à fase adulta: agora somos efetivamente filhos de Deus (cf. Gl 4,1-7).

Maria é colocada exatamente nesse vértice do plano redentor. Através do seu ministério materno, o Filho do Pai, preexistente ao mundo, se radica na linhagem humana. Ela é a mulher que o reveste com a nossa carne e o nosso sangue (cf. Hb 2,14).

Conclusão

Gl 4,4 é apenas o germe inicial da doutrina mariana, que será desenvolvida pelos outros documentos do NT. O testemunho de Paulo é preciosíssimo: embora sóbrio, declara que a pessoa de Maria está vitalmente vinculada ao projeto salvífico de Deus.

Fonte: Fiores, Stefano / Meo, Salvatore. Dicionário de Mariologia, verbete: Bíblia, Serra, Aristide. Ed. Paulus, São Paulo-SP, 1995.