Maria, na Sagrada Escritura (11)

MARIOLOGIA DE PAULO

A mariologia de Paulo é tão elementar como a de Marcos. O único texto mariológico:

Mas quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à lei.

Gl 4,4

É o primeiro texto mariano, escrito cerca de 56-57.

O sentido mariológico é genérico: Nascido de mulher (genómenon ek gynaikós), indica a condição humana em seu aspecto fraco e mortal. Paulo não diz exatamente nascido, mas feito, para mostrar que o Filho preexistia desde sempre; Ele não vinha do nada.

Feito de mulher é uma expressão da kenose (humilhação esvaziamento) de Cristo. Paulo utiliza em outras expressões:

  • Fez-se maldição (Gl 3,13);
  • Fez-se servo (Fl 2,5-8);
  • Fez-se pecado (2Cor 5,21);

Então, ser filho de mulher, sendo a mulher Maria, não era para Jesus sinal de glória, mas sim, de humilhação.

Podemos dizer que o texto de Paulo é cristológico. Pois, o foco é Jesus, sendo Maria, apenas uma figura de contraste em relação a filiação divina. Maria, nesse texto, permanece anônima, pois é apenas designada como mulher, uma como outra qualquer, sem identidade pessoal.

Mas, pode-se sustentar quem em Gl 4,4 há uma mariologia germinal e como afirma G. Söll: “É o texto mariológico mais significativo do NT”.

Alguns dados mariológicos básicos:

  • Na História da Salvação, Maria se faz presente no tempo do pléroma (plenitude). Seu lugar é, pois, no centro escatológico (definitivo) da história;
  • Maria está relacionada com o Filho e com seu envio. Jesus, como Filho de Maria, serve de caminho para a vinda de Deus até nós em seu Filho;
  • Maria possibilita a adoção filial (huiothesía), conceito que Paulo utiliza em outras cartas (Cf. Rm 8,15.23; 9,4). O Filho nasce sob a Lei para redimir a Lei; faz-se filho de uma mulher, para fazer do ser humano: filho de Deus; essa Mulher é também o caminho pelo qual vamos a Deus.

Boff, Clodovis,OSM. INTRODUÇÃO À MARIOLOGIA. Ed. Vozes, Petrópolis-RJ. 6ª Edição, 2012.