Maria, na Sagrada Escritura (15)

Maria em Marcos – Parte 2

Um segundo trecho do Evangelho de Marcos que faz citação a Maria, acontece na narrativa da visita de Jesus a Nazaré, sua terra natal, onde os que o conheciam o tratarão com incredulidade (Mc 6,1-6).

  • A pregação de Jesus na sinagoga de Nazaré desperta admiração nos que o escutam (Mc 6,2);
  • Dizia-se dele entre outras coisas: Não é este o carpinteiro, o filho de Maria? (v.3).

Partindo de uma proposta interpretativa, façamos um paralelo, entre Mc 6,3 e às passagens de Mateus-Lucas e ao evangelho de João.

  • Mc 6,3: Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão?
  • Mt 13,55: Não é ele o filho do carpinteiro? Sua mãe não é aquela, chamada Maria?
  • Lc 4,22: “Porventura não é este o filho de José?” 
  • Lc 3,23: Jesus, ao começar sua vida pública… era, como pensavam, filho de José… 
  • Jo 1,45: Filipe encontrou Natanael e disse-lhe: “Encontramos Jesus de Nazaré, filho de José”. 
  • Jo 6,42: Diziam: “Este não é Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos?

Alguns esclarecimentos no uso bíblico, pois Marcos 6,3, no NT, é a única passagem do gênero, que fala de Jesus como filho de Maria e não de José:

  • É bom sabermos, que no uso bíblico, um filho é designado habitualmente com o nome do pai;
  • É citado o nome da mãe quando o pai teve mais filhos de diversas mulheres fossem elas esposas ou concubinas, podemos confirmar nos trechos: Gn 22,24; 24,15; 36,10-14; 2Sm 3,3-5.

Podemos refletir sobre o porquê o Evangelista, apenas diz “o filho de Maria

  • A morte de Jose: São muitos os que dizem que, naquele tempo, José já havia morrido; por isso menciona-se somente o genitor sobrevivente, Maria, conhecida por todos os habitantes do lugarejo;
  • Sinal de paternidade incerta: Como fazem alguns, que um filho identificado somente por parte da mãe seja filho ilegítimo, de paternidade desconhecida? – Esta era uma posição, de provinha de um hábito judaico posterior ao tempo de Jesus. Também, entre os samaritanos, a expressão “Jesus filho de Maria”, tem sentido pejorativo. Podemos ver nas leituras do AT, como era visto um filho identificado por paternidade incerta: Lv 24,10-11; Jz 11,1-2.
    • No Séc. II, mencionada por Orígenes, segundo a qual Jesus teria sido filho adulterino de Maria e do soldado legionário Pantera. Tal afirmação é insegura, pois e os outros irmãos e irmãs de Jesus, mencionados em Mc 6,3, todos, eram ilegítimos?
  • A fé na concepção virginal de Jesus: Marcos escreve simplesmente “o filho de Maria”, porque ele (e a sua comunidade) sabem da concepção virginal do Cristo. Para a sensibilidade de Marcos, que já conhecia o mistério da origem do Filho de Deus em virtude do Espírito Santo.
    • Vale também o registro, pois Mateus e Lucas, chamam Jesus de filho de José, tal linguagem não se prestava a incompreensões, pois nos respectivos evangelhos da infância eles já haviam excluído a paternidade física de José.

Sejam lá como forem as coisas, não convém insistir demasiadamente. Vale a nossa Fé na Virgem Maria, Mãe de Jesus, esposa do Bom José.

Fonte: Fiores, Stefano / Meo, Salvatore. Dicionário de Mariologia, verbete: Bíblia, Serra, Aristide,osm. Ed. Paulus, São Paulo-SP, 1995.