Maria, na Sagrada Escritura (18)

Maria em Mateus – Parte 3

Livro da origem…

Em Mt 1,1: “Genealogia de Jesus Cristo…”. “Bíblos genéseos Iesoû Christoû” (Livro da geração de Jesus Cristo). observam alguns exegetas, o título Bíblos genéseos, também aparece em Gn 2,4, quando fala da criação do mundo: “Essas são as origens” (e biblos genéseos) de Adão.

A genealogia no início do Evangelho de São Mateus, mostra a ascendência de Jesus Cristo segundo a Sua humanidade e dá uma indicação da plenitude a que chega à História da Salvação, com a Encarnação do Filho de Deus, por obra do Espírito Santo. Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, é o Messias esperado.

Mateus considera a gênese-nascimento de Jesus como segunda criação. Cristo é o novo Adão e o ventre de Maria (cf. Mt 1,18.21) seria como que a nova terra virgem da qual o espírito de Deus plasma a cabeça da nova humanidade.

A interpretação da encarnação de Cristo como criação renovada é proposta que se afirmou, como marca de absoluta novidade.

Podemos confirmar sobre a Sua realeza:

  • Vv. 5-6: a realeza de Davi está evidenciada, que com o exílio se extinguirá a instituição monárquico-davídica;
  • Vv. 12-16: terceiro grupo de nomes, após o exílio da Babilônia, são citadas pessoas destituídas de insígnias reais. Cristo, então, dará vida a novo tipo de realeza, completamente diferente.
  • Mt 2,15: “…Do Egito chamei meu filho”, Jesus institui outra casa de Davi, um reino que transcende as leis da carne e do sangue. O próprio modo pelo qual ele entra em nosso mundo é indicação aberta sobre a natureza divina de sua pessoa. Certo dia, diria, Jesus a propósito de si mesmo: “Aqui está algo maior do que o Templo… Aqui está algo maior do que Jonas!… Aqui está algo mais do que Salomão!” (Mt 12,6.41-42).
  • V.18: “A origem de Jesus Cristo foi assim…” Enquanto os seus antepassados foram gerados no encontro de um homem e uma mulher, a humanidade de Cristo germina do poder do Espírito agindo no ventre de Maria. É caminho que subverte a sabedoria terrena.

Aqui está o alvorecer da nova criação, onde o Filho do Homem sentará no trono de sua glória (cf. Mt 19,28; 25,31), mostrando que Cristo não se torna rei por sucessão dinástica, mas por concepção virginal e por ressurreição: ambas são obras do Espírito Santo, que tudo renova (cf. Sb 7,22.27).

Fonte:

Fiores, Stefano / Meo, Salvatore. Dicionário de Mariologia, verbete: Bíblia, Serra, Aristide,osm. Ed. Paulus, São Paulo-SP, 1995.
VV.AA. Bíblia Sagrada, Santos Evangelhos. Ed. Theologica – Braga/PT, 1994.