Maria, na Sagrada Escritura (25)

Maria em Mateus – Parte 10  

Maria a Rainha

“Ao entrarem em casa, [os magos] viram o menino com Maria, sua mãe, e prostrando-se o adoraram”. Mt 2,11

  • A adoração dos magos, no relato mateano, tem indubitavelmente caráter “régio”. Com efeito, os magos chegaram a Jerusalém e perguntaram: “onde está o rei dos judeus que nasceu?” (Mt 2,2);
  • Também desse ponto de vista, não é destituído de significado o fato de que no momento da prostração de tais personagens, seja lembrado o menino com a mãe (v.11);
  • José, que desempenha papel de primeiro plano em Mt 1-2, quase desaparece;
  • Talvez surja aqui a versão veterotestamentária sobre a ghebirâh: ora é Maria a rainha-mãe do rei-messias recém-nascido; os joelhos dela são o trono natural onde se senta a majestade régia do menino.

Há quem queira pensar em outra hipótese de pesquisa, sugerida pela liturgia. Realmente, para a festa da Epifania, a primeira leitura que prepara o trecho evangélico de Mt 2,1-12, é Is 60,1-6.

  • O texto isaiano celebra a glória de Jerusalém, reedificada sobre as ruínas depois do exílio da Babilônia;
  • Com a volta dos seus filhos para dentro das suas muralhas e com a peregrinação dos povos ao seu templo, Jerusalém se transforma em mãe universal;
  • E mais: assim como a glória de Javé resplandece sobre ela, rei e princesas – diz o profeta – “com a face em terra, se prostrarão diante de ti, lamberão o pó dos teus pés” (Is 49,23), “virão a ti em atitude humilde os filhos dos teus opressores, lançar-se-ão prostrados diante de ti e de teus pés” (Is 60,14);
  • Junto com o tema de Jerusalém mãe universal, os textos do judaísmo desenvolvem o tema do messias que nela reina e ao qual as nações trazem seus dons desde as extremidades da terra, para contemplar a sua glória (Sl 44,13).

Mateus (no caso entra a hipótese a que aludimos) é provável que transcreva em chave cristológica os dois motivos supracitados.

  • No lugar de Jerusalém-mãe, entra agora Maria-mãe; enquanto isso, o menino, seu filho, assume o papel de rei-messiânico que recebe a homenagem de todas as nações;
  • No entanto, não é mais a velha Jerusalém que conta; ela, com seus chefes, rejeitou o messias (Mt 2,3; 23,37-38);
  • O encontro dos magos com Cristo aconteceu fora dos seus muros; ele se realizou na casa de Belém, que poderia representar a Igreja;
  • Todas as vezes que os povos, à semelhança dos magos, vierem a Cristo, encontrarão “o menino com Maria sua Mãe” (Mt 2,11). Maria é indissociável do Filho!
Fonte: Fiores, Stefano / Meo, Salvatore. Dicionário de Mariologia, verbete: Rainha, Serra, Aristide,osm. Ed. Paulus, São Paulo-SP, 1995.