Maria, na Sagrada Escritura (3)

Em Nazaré

Não existe uma biografia da Virgem de Nazaré de nome Míriam em hebraico, e Maria em grego e latim. A Maria histórica, dado o caráter das fontes, nos é vedado. Encontraremos sempre, fato associado à teologia ou acontecimento histórico ligado a uma interpretação da fé. Já os apócrifos, repletos de legendas e fantasias piedosas, nunca foram aceitos oficialmente pela Igreja.

Novo Testamento, apresenta-se magro em informações acerca de Maria, aparece:

  • Evangelho de São Mateus (capítulos 1 e 2):
    • Perplexidade de José;
    • Visita dos reis magos;
    • Fuga ao Egito.
  • Evangelho de São Marcos (duas vezes):
    • Quando Maria parece ser afastada por Jesus (Mc 3,21);
    • Quando ficam maravilhados por sua sabedoria: “não é este o filho de Maria?” (Mc 6,3).
  • Evangelho de São Lucas: (capítulos 1 e 2):
    • Anunciação;
    • Nascimento de Jesus;
    • Apresentação no Templo;
    • Reencontro do Menino no Templo.
  • Evangelho de São João:
    • Por ocasião de Caná (Jo 2,3);
    • Ao pé da Cruz (Jo 19,25-27).
  • Atos dos Apóstolos:
    • Ocasião de Pentecostes (At 1,14).
  • Cartas de São Paulo:
    • Anonimamente, numa meia-frase – “nascido de mulher” (Gl 4,4).

Maria somente entra na história, por causa da história de Jesus e da irrupção do Espírito Santo na Anunciação e Pentecostes. Em Maria, não vemos nenhuma idealização. É uma mulher do povo simples e pobre. Vive na Galileia e participa em tudo da situação social, política e religiosa de seu povo.

Fonte: Boff, Leonardo. O rosto materno de Deus. Ed. Vozes, Petrópolis, RJ, 2012