Maria, na Sagrada Escritura (4)

Pressupostos bíblicos

Deus nos revelou um único mistério salvífico, em diversas etapas históricas.

Concílio Vaticano II

  • unidade indissolúvel entre o Antigo e o Novo Testamento: o primeiro contém o segundo e o segundo desvela em plenitude o significado do primeiro (Dei Verbum,16). Ambos os Testamentos têm um único e mesmo autor: Deus.
  • A revelação nos foi comunicada progressivamente (Dei Verbum,14). O Antigo Testamento anuncia profeticamente o Novo, preparando-o pedagogicamente (Dei Verbum,15).

Igreja Primitiva e formação do Novo Testamento

  • Para Maria e os apóstolos não existiu outra Palavra de Deus escrita a não ser o Antigo Testamento;
  • À sua luz conheceram a própria missão e o mistério revelado em e por Cristo;
  • À sua luz a Igreja primitiva (em grande parte constituída de judeus convertidos) entendeu e pregou a libertação realizada em Cristo;
  • Quando algum livro do Novo Testamento cita textualmente o Antigo, tanto para nós como para os primeiros cristãos, a relação torna-se bastante clara. Não acontece assim conosco. Por sermos pouco familiarizados com a Antiga Aliança, devemos suprir essa nossa deficiência com uma pesquisa mais profunda;
  • A pregação dos primeiros discípulos, que procuravam interpretar para esses fiéis o evento de Jesus Cristo à luz da Escritura, é aquilo que, por providência divina, conservamos por escrito no Novo Testamento, especialmente nos Evangelhos (Dei Verbum,18);
  • Para compreender a vocação de participação de Maria no Evangelho de seu Filho, é necessário situá-la, no contexto dos gêneros literários, e na linha coerente do modo e finalidade pela qual Javé chamou os seus escolhidos para uma missão.

Os evangelhos da infância:

  • São os mais ricos (juntamente com os capítulos 2 e 19 de João) em Mariologia. O capítulo 1 de Lucas é fundamental para contemplar a vocação de Maria. Para entendê-los devemos dizer uma palavra sobre os gêneros literários.
    • Gênero antológico: O Magnificat seleciona tópicos dispersos nas antigas Escrituras, a fim de esclarecer para a primeira comunidade o significado da vocação de Maria. O anúncio do anjo recolhe, em sua forma, os esquemas literários usados antigamente para comunicar a mensagem de um nascimento prodigioso;
    • Gênero midráshico: Refere-se à interpretação de um fato atual à luz das antigas Escrituras. Não seria justo afirmar, que os relatos da infância não são históricos, mas sim mitos ou como piedosos. Eles são a história daquilo que realmente aconteceu

Fonte: Gonzáles, Carlos Ignacio. Maria evangelizada e evangelizadora. Ed. Loyola, São Paulo, SP, 1997