Maria, na Sagrada Escritura (6)

A participação de Maria no Reino de Deus

Em atenção a Maria na Sagrada Escritura, precisamos antes, passar por este entendimento:

O entendimento do conceito do Reino de Deus é essencial para a teologia mariana. A expressão Reino de Deus é símbolo apocalíptico que fala da entrada de Deus na história para renovar, refazer e redimir o mundo e toda a humanidade. A expressão também inclui a ação afetuosa de Deus, que compassivamente redime os povos da história. Tem, um duplo enfoque: a certeza de um aspecto futuro, certeza da experiência presente. Sua proclamação é a mensagem central da pregação de Jesus. Jesus nunca o definiu. Só disse que ele é como uma semente. Ponto de partida, experiência do amor libertador de Deus. Esse amor concretiza-se no próximo.

Na sociedade judaica que foi estruturada ao redor do sistema de pureza e onde significava separação de toda pessoa e de tudo que é impuro, Jesus anunciou que viera “procurar e salvar o que estava perdido” (Lc 19,10). E ele nos ofereceu esta máxima extraordinária: “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36).

Jesus é a personificação da compaixão de Deus, que se importa com a maneira como os seres humanos vivem. Dando visão aos cegos, dando aos paralíticos a capacidade de andar, pregando aos pobres, elogiando uma samaritana, curando um leproso, aceitando uma prostituta e um gentio.

Nos seres humanos, seus semelhantes, ele via não o pecado e a culpa, mas via, a mágoa, o desalento, a doença, a confusão e o medo. Zaqueu partilhou suas posses com os pobres, por isso Jesus disse: “Hoje a salvação entrou nesta casa” (Lc 19,9).

Depois da morte de Jesus, encontramos os onze discípulos na sala superior, “com algumas mulheres, entre as quais Maria, a Mãe de Jesus, e com os irmãos dele” (At 1,14), perseverando na oração e aguardando a vinda do Espírito Santo.

Aqui em Pentecostes, no nascimento da Igreja, Maria estava presente com as outras mulheres, recebeu o Espírito Santo e derramou-se em louvor, “conforme o Espírito Santo lhes concedia que se exprimissem” (At 2,4), inspirando ousadia para pregar o Evangelho.

A crença no Cristo ressuscitado era sinal e percepção inicial do Reino de Deus, significava escolher um novo modo de vida, de existir para os outros. Como a comunidade da Igreja primitiva, hoje somos chamados a refletir sobre a experiência interior de Jesus de profunda intimidade com o Pai e transmitir ao mundo essa vida e energia divinas como compaixão. Nosso mundo de hoje é um mundo de opressão, devastação ecológica e um débito coletivo do terceiro mundo. O matador silencioso dos pobres, a realidade da pobreza opressiva, nos países em desenvolvimento, o extermínio de família que são deslocadas e forçadas a viver em meio a brutalidade da opressão política. Uma crise de sobrevivência.

Fonte: Coyle, Kathleen. MARIA TÃO PLENA DE DEUS E TÃO NOSSA. Ed. Paulus-São Paulo-SP, 2012.