MARIA, MÃE DA IGREJA

Maria é membro da Igreja nascente

O título é devido ao Santo Papa Paulo VI: “Para a glória da Virgem e para o nosso consolo, proclamamos Maria santíssima, Mãe da Igreja, isto é, de todo o povo de Deus, tanto dos fiéis quanto dos pastores… e queremos que, com este suavíssimo título, a Virgem seja de agora em diante ainda mais honrada e invocada pelo povo cristão” (alocução de 21/11/1964).

O título não era novo, pois a Constituição Dogmática Lumen Gentium, nº 53, retomava a um texto do Papa Bento XIV, que implicitamente já havia declarado Maria, como mãe da Igreja. Dizia o Papa: “…instruída pelo Espírito Santo, honra Maria com afeto de piedade filial como mãe amantíssima”.

Esta mesma Constituição Dogmática, ainda em seu nº 53 nos diz: “plenamente mãe dos membros de Cristo” e complementada pelo n° 54: “Mãe de Cristo e Mãe dos homens, principalmente dos fiéis”.

Mas, o fundamento bíblico-dogmático de tal maternidade, não especificada como o fez Paulo VI atribuindo-a aos simples fiéis e aos pastores, mas globalmente ampliada para abranger todo o gênero humano ficava assegurada pelos seguintes trechos: “Concebendo Cristo, gerando-o, nutrindo-o, apresentando-o ao Pai no templo, sofrendo junto com o Filho moribundo na cruz, cooperou de modo verdadeiramente singular na obra do Salvador, com a obediência, a fé, a esperança, a caridade ardente… Por isso, ela foi para nós mãe da ordem da graça” (Lumen Gentium n° 61).

Essa maternidade, na economia da graça, perdura ininterruptamente, a partir do consentimento que (Maria) fielmente prestou na Anunciação e que confirmou ao pé da Cruz sem hesitação, até a perfeição perpétua de todos os eleitos. De fato, assunta ao céu, não abdicou desse ofício salvífico, mas com sua multíplice intercessão continua a alcançar-nos os dons da eterna salvação. Com sua materna caridade cuida dos irmãos do seu Filho, que ainda peregrinam rodeados de perigos e dificuldades, até que sejam conduzidos à pátria celeste (Lumen gentium nº 62). E, ainda: “junto aos quais (fiéis) coopera com amor materno, para gerá-los e educá-los” (Lumen gentium nº 63).

Não soa diferente o fundamento dogmático na frase lapidar de S. Pio X: “Gestando Christum gestavit et nos” (Encíclica Ad diem illum, de 02.fev.1904).

Igualmente não podemos deixar de lado a Tradição com nossos Padres e escritores eclesiásticos:

  • Clemente de Alexandria: falava da Virgem-mãe: “Gosto de chamá-la Igreja”.
  • Santo Epifânio, que chamava Maria de “Mãe dos viventes”.
  • Severiano de Gabala: “Maria é mãe da salvação”.
  • Teodoro de Ancira: “Maria é mãe da economia”.
  • Proclo de Constantinopla: “Maria gerou o mistério”.
  • Isaac de Estrela, apresenta um paralelismo, entre Igreja e Maria, onde ambos “geraram o Cristo total”.

Também, o magistério eclesiástico, com os Papas Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII, anteciparam fielmente o ensinamento de Paulo VI, que com muita razão afirmou, que o título “Mater Ecclesiae”, não era nem novo e nem indevido.

Mas, alguns teólogos, se levantaram contra o título “Maria, Mãe da Igreja”, diziam que era puramente devocional, destituído de validade teológica, e faltava boa informação.

Mas, o contrário pode ser demonstrado pela ligação entre Gn 3,15 e Ap 12,1-18, onde vemos Maria, como arquétipo da igreja.

  • Primeiro Ela é Mãe de Cristo;
  • Ela é também, Mãe de todos nós (Ap 12,17), quando fala “o resto dos filhos ou da descendência”.

Com rigor teológico, complementa o Santo Papa Paulo VI: “Maria é Mãe de Cristo que, não só assumiu a natureza humana no seio virginal dela, mas ligou a si, como cabeça, o seu corpo místico, que é a Igreja. Consequentemente, como Mãe de Cristo, Maria é também mãe dos fiéis e de todos os pastores, isto é, da Igreja”.

Maria, Mãe de todo o povo cristão. Mãe da Igreja. Mistério da fé. Intercedei por nós!

Fonte: Fiores, Stefano / Meo, Salvatore. Dicionário de Mariologia, verbete: Igreja, Gherardini, Brunero, dom (Florença). Ed. Paulus, São Paulo-SP, 1995.