Castelo Interior ou Moradas

Santa Teresa de Jesus

Um Livro que nos toca profundamente a um maior discernimento. Após uma Introdução, um pequeno prólogo, nos é apresentado as primeiras moradas, em 2 capítulos; segundas moradas, em capítulo único; terceiras moradas, em dois capítulos; quartas moradas, em três capítulos; quintas moradas, em quatro capítulos; sextas moradas em onze capítulos; sétimas moradas em quatro capítulos.

Introdução

Um Castelo interior como um guia de viagem, esta será a trilha proposta por Teresa, que nasceu em 1515. Tempo de alargamento do mundo conhecido, onde muitas viagens aconteciam, descobertas das Américas, entradas para o Oriente. Mas, a busca do Castelo interior será uma outra viagem, outro rumo a ser tomado. Na realidade o guia de Teresa é uma conversa em busca de uma rota interior, nada de viagem de turismo. Mas, é rota de migração, na busca de um guia seguro, que não permita errar o caminho.

O objetivo, não é um país distante, mas o próprio interior da alma: um castelo. E, por que um castelo? Porque nele mora um Rei. Na verdade, para Teresa, o Castelo é um diamante, em que todas as moradas se colocam ao redor da morada central, onde habita o Rei.

Teresa explica, que a alma é tão ampla quanto o mundo, lá encontramos: a inteligência, a vontade, a memória, a imaginação e os próprios sentidos. E, continua Teresa em sua viagem, apontando comparações, que se sucedem uma a uma:

  1. Deus é como um sol, onde no centro temos um diamante;
  2. A alma é uma pedra preciosa traspassada pela luz. A alma também, pode ser uma árvore, que plantada à beira de um regato límpido, fica em estado de graça;
    1. Mas, se esta árvore estiver junto ao lodaçal, está em pecado.
  3. O amor é como a abelha, nunca para, sempre se exercitando, fazendo o mel;
    1. O pecado é mordida de víbora, provoca inchação constante.
  4. Paixões e vícios são os animais daninhos selvagens;
  5. Devaneios da imaginação lembram lagartixinhas, que penetram em todo canto;
  6. O corpo é a cerca do Castelo
  7. A porta de entrada é a oração
  8. A última das moradas é o camarim real.
  9. Há, ainda outras metáforas, mas duas serão de grande importância: a do bicho da seda, que se dá a metamorfose da alma: bicho da seda/borboleta e do matrimônio espiritual.

O bicho da seda aparecerá no relato das quintas moradas, e que podemos dizer, será como um limite na obra, onde poderíamos chamar de dois grupos: antes, a quatro primeiras moradas e noutro as três últimas.

Deus habita no mais íntimo da alma, esta é a grande descoberta de Teresa. Deus está na alma e no céu. Por isso a alma é outro céu, no qual se pode entrar através da oração. Esta é a grande viagem.

Teresa, diz que em sua vida, sempre foi amiga de bons livros, conhecia alguns dos mais importantes tratados espirituais da cristandade de seu tempo:

  1. O Terceiro Abecedário, do franciscano Francisco de Osuna;
  2. Meditações e os Solilóquios, atribuídos então a Santo Agostinho;
  3. Tratado de Oração e Meditação, de seu contemporâneo Pedro de Alcântara;
  4. O Antigo Testamento e o Evangelhos.

O momento histórico da composição do Castelo interior, livro que estamos a introduzir, corresponde ao da grande perseguição contra os descalços. Frei João da Cruz é preso e o padre Graciano, de completa confiança da Santa, afastado do seu cargo provincial. Interrupções essas, que serão responsáveis por certas mudanças de estilo que se observam no decorrer do livro. Também, seus últimos dias de sua permanência em Toledo, no ano de 1577, com sua saúde muito abalada.

Teresa recebe o título de Doutora da Igreja, pelo papa Paulo VI, que diz: “agora realmente chegara o tempo de santa Teresa”.

Castelo interior, onde o Criador se encontra com sua criatura. Aqui, começa, o tempo das Moradas, seu voo mais alto como mestra espiritual.

Aproveitemos!

Professor Jacyntho José Lins Brandão, da Universidade Federal de Minas Gerais