NATIVIDADE DE MARIA

É preciso ressaltar, que os evangelhos nada se referem ao nascimento de Maria.

A primeira fonte do relato sobre o nascimento da Virgem Maria é o apócrifo Proto-Evangelho de Tiago, que coloca o nascimento da Virgem em Jerusalém, no lugar em que, do ano 400 ao ano 600, diversos testemunhos falam de uma basílica em honra de Maria perto da piscina Probática. Depois de 603, o patriarca Sofrônio afirma que esse é o lugar onde nasceu a Virgem. Mais tarde, a arqueologia confirmou a tradição.

A festa da Natividade da B.V. Maria surgiu no Oriente e com muita probabilidade em Jerusalém por volta do séc. V, onde se mantinha sempre viva a tradição da casa natal da Virgem. A festa surgiu muito provavelmente como a dedicação de uma igreja, junto da Piscina Probática, cujas tradições se vinculam ao atual santuário de Santa Ana.

A festa foi fixada a 8 de setembro provavelmente porque, desempenhando Maria o papel de início na obra da salvação, era muitíssimo oportuno celebrar o seu nascimento no começo do ano eclesiástico segundo o Monologium Basilianum.

Começo e evolução da Festa

O primeiro documento sobre a festa parece ser um hino de Romano, o Melódio, o hinógrafo grego dos anos 536-566, no hino consta narrações do nascimento da Virgem, segundo o Proto-evangelho de Tiago. No Oriente a festa assumiu, bem depressa, grande importância.

No Ocidente a festa foi introduzida por volta do séc. VII. Na segunda metade deste século, a festa ganhou força e com o apoio do papa sírio-siciliano Sérgio I (687-701), para dar maior brilho, cria-se uma procissão, que devia sair da Igreja de Santo Adriano e ir até a Basílica de Santa Maria Maior.

A partir do séc. XI, a festa foi adquirindo cada vez maior importância. Passou, a ser estabelecida como Festa a partir do papa Inocêncio IV em 1243 depois de uma promessa feita pelos cardeais no conclave de 1241, durante o qual, por uns três meses, os cardeais eleitores foram mantidos como prisioneiros de Frederico II. Depois, o papa Gregório XI em 1378 quis que ela fosse precedida por uma vigília e mais tarde ainda o próprio papa a transformou em celebração solene.

A festa da Natividade da B.V. Maria, fixada para 8 de setembro, irá mais tarde condicionar a celebração da Imaculada Conceição a 8 de dezembro.

A Festa da Plenitude e do Consolo

A festa fixada em setembro, onde o tempo após o calor do verão, se torna mais brando e agradável, quando a uva e muitas outras espécies de frutas chegam ao amadurecimento, que exprimem, muito bem, os conceitos de: Plenitude do Tempos (Gl 4,4; Ef 1,10) e o do consolo benéfico trazido por Maria.

No AT tudo converge para o momento da encarnação e o NT começa daí: nesse momento de plenitude é que se insere a Virgem. A natividade de Maria – comenta S. André de Creta: “é como uma pedra de ligação entre o AT e o NT. Mostra de que modo aos símbolos e às figuras sucede a verdade, e de que maneira à primeira Aliança sucede a nova”.

Na festa da Natividade da B.V. Maria, o tema da luz aparece constantemente: “A sua imagem é luz para todo o povo cristão” (Ofício das Leituras); “No mundo se acendeu uma luz por ocasião do nascimento da Virgem” (antífona do Benedictus); “De ti nasceu o sol da justiça” (antífona do Benedictus). E, com o tema da luz, obviamente aparece o da alegria: “Com fé e com alegria celebremos o nascimento da s. Virgem” (Ofício das Leituras); “Toda a criação cante de alegria, exulte e participe da alegria deste dia”(Ofício da Leituras); “Com alegria celebremos o nascimento de Maria” (Laudes); “O teu natal, ó Mãe de Deus, alegrou o mundo inteiro” (antífona do Benedictus).

Plenitude do Tempo, luz e alegria. Talvez consigamos compreender melhor o que representa o nascimento de Maria para a humanidade se levarmos em conta a situação de um prisioneiro. Os dias do encarcerado são longos, intermináveis… Na última noite passada no cárcere, ele conta os minutos; depois, finalmente as portas se abrem: chegou a hora tão esperada da liberdade!…Aqueles minutos intermináveis, contados um a um, fazem-nos pensar na página evangélica da genealogia de Jesus. Nome e mais nomes, um nome depois do outro, vão se sucedendo com certa monotonia: “Abraão gerou Isaac, Isaac gerou Jacó, Jacó gerou Judá…Jessé gerou Davi. Davi gerou Salomão…” (Mt 1,2-6). Surge por fim a hora querida por Deus: e a plenitude do tempo, o começo da luz, a autora da salvação: Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus chamado Cristo” (Mt 1,16).

Fonte: Fiores, Stefano / Meo, Salvatore. Dicionário de Mariologia, verbete: Natividade de Maria, Meaolo, Gaetano Dom. Ed. Paulus, São Paulo-SP, 1995.