Memória Redentora de Maria

Quando há uma verdadeira vida com Deus, mais extensa será a abertura junto as pessoas próximas ou distantes, tudo deve combinar, tudo deve estar integrado. Maria tinha vivido, uma intimidade sem precedentes com Deus. Essa intimidade a coloca em comunhão, sem precedentes com os irmãos, representados, no Evangelho, em Isabel. O Senhor sempre desinstala e conduz seus amigos para o compromisso com os semelhantes.

Depois, das grandes emoções de Maria, na Anunciação, este primeiro contato com o Senhor deram-lhes asas para voar, “cruzando as montanhas da Judéia” (Lc 1,39) para a casa de Isabel.

A partir da memória bíblica, somos convidados a reler a história com novos olhos, pois, temos a experiência que o passado carrega lembranças de fatos e de vivências, não raro, negativas, mas fixemos nosso olhar no estilo de Deus e no estilo de Maria. Deus, sabemos que sempre foi silêncio. Age no Universo e na história como um desconhecido. Quanto a Maria, já sabemos suas atitudes: sempre humilde, modesta.

No Calvário, cena de música fúnebre. Se Maria fixasse, para o restante de sua vida, sua memória nesta cena, teria uma memória mórbida, doentia. Mas, não se fixa no passado, experimenta o presente, sem gritos, sem histerias, nem desmaios e talvez nem lágrimas. Maria, entende que a memória é sacramento do presente e traz dentro de si uma memória redentora, que renova no coração o momento. Experimenta Pentecostes, como discípula junto aos discípulos, se portando assim, até a Assunção.

Devemos também, aprender de Maria e ter uma memória agradecida, trazer aos nossos corações eventos passados, para dar a eles nova vida. Maria não se prendeu à morte, esperou contra toda esperança e sorriu ao vê-lo ressuscitado. Como boa discípula esteve a frente em Pentecostes, viu nascer a Igreja, hoje é Mãe da Igreja, nossa Mãe na ordem da graça.

Trazer a história é chegar a conhecer, sentir e amar a nossa própria história, convertê-la em Epifania, ou manifestação de Deus, que permite a nos compreender e a nos aceitar como somos. Nossa vida, sem a luz da Ressurreição, se reduz a eventos opacos, vazios, tristes. Com a Ressurreição, nossa vida se plenifica, se constitui em História da Salvação, vemos de um modo diferente, vemos mais longe, vemos além, porque nosso coração está aquecido, pela presença de Maria, a Cheia de Graça.

Salve Maria!

Eduardo Lopes Caridade

Fontes:

  • Larrañaga,I. “O Silêncio de Maria”. Ed Paulinas, 2012
  • Texto “Traer la historia” – Sentir a História – Pe. Adroaldo Palaoro,SJ
  • Foto: ANDREA DEL SARTO
    Virgin and Child in Glory with Six Saints(1528)
    Galleria Palatina (Palazzo Pitti), Florence