Revelação da Mãe ao Discípulo

Se quisermos encontrar na Sagrada Escritura, uma passagem bíblica que identifique “a consagração a Jesus pelas mãos de Maria”, devemos ir ao Evangelho de São João, onde em Jo 19,25-27, iremos nos deparar com o texto mais evidente, em favor de uma dimensão mariana, que é a nossa fé em Cristo. Trata-se do Testamento de Jesus, que diz à Mãe: “eis aí o teu Filho” e ao discípulo “eis aí a tua mãe”.

Contemplamos Maria, próxima, ao Crucificado, juntamente com outras mulheres e com o discípulo amado. Eles representam o resto da fé de Israel que abraça a tragédia do Calvário no paradoxal amor de Deus. Observamos, na cena no monte da morte, o sacrifício do Filho; mas também existencialmente o sacrifício do amor materno, que é a sua compaixão.

Além de todas as interpretações de amor filial, e querendo deixar Maria entregue ao discípulo, existe uma profunda intenção teológica que queremos tocar. Pois, para onde iria aquela viúva? Esta intenção teológica, nos aponta Jesus, o intérprete do Pai, porque nos revela perfeitamente a vontade do Pai ao mundo, como porta-voz, cheio do Espírito Santo (Jo 1,18), e, nos insere Maria, como a intérprete do Filho.

Então, na cruz, vemos uma dupla revelação:

  • Mãe”: Todos os discípulos são seus Filhos.
  • Filho”: A Maternidade de Maria é universal.

Mais tarde, comentará o Santo Padre São João Paulo II: “Estas palavras, particularmente comoventes, constituem uma cena de revelação (consagração), pois relatam os profundos sentimentos de Cristo moribundo e contém uma riqueza de significados para a fé e para a espiritualidade cristã. O Messias crucificado estabelece as novas relações de amor entre Maria e os Cristãos”. (S. João Paulo II).

Fonte: A Virgem Maria. 58 Catequeses do Papa Sobre Nossa Senhora – São João Paulo II e Locus mariologicus