A nova “Filha de Sião”

No momento da Anunciação, Maria, “filha excelsa de Sião” (LG,55), é saudada pelo anjo, que lhe faz um convite à alegria: chaire, isto é, “alegra-te”, que era uma saudação usada com frequência pelos gregos. Mas, este convite à alegria adapta-se, de modo particular, ao anúncio da vinda do Messias.

No Antigo Testamento, podemos encontrar o oráculo do profeta Sofonias 3,14: “Solta gritos de júbilo, filha de Sião! Solta gritos de alegria, ó Israel! Alegra-te e rejubila de todo o coração filha de Jerusalém”. Um convite à alegria! No v.15: vemos uma alusão a presença do Senhor: “O rei de Israel, que é o Senhor, está no meio de ti”. Depois, um convite a nada temer, v.16: “Não temas, Sião! Não se enfraqueçam os teus braços. E, por fim a promessa de Salvação”, v.17: “O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, como poderoso salvador”.

Em Maria, vemos três motivos do convite à alegria: 1. A presença salvífica de Deus no meio de Seu povo; 2. A vinda do rei messiânico; 3. A fecundidade gratuita e superabundante. Um convite à alegria, que é presença do Senhor, na certeza de que nada devemos temer, pois n’Ele está a salvação.

Na narrativa da Anunciação reconhecemos em Maria, a nova “filha de Sião”, convidada por Deus a uma grande alegria. Mas, na intenção divina, o anúncio a Ela dirigido, tem por objetivo a salvação universal. Como “filha de Sião”, Maria é a Virgem da aliança que Deus estabelece com a humanidade inteira.

Como nova “filha de Sião”, Maria, pode oferecer ao Senhor um verdadeiro coração de Esposa, para se tornar uma pessoa que representa a humanidade e, no momento da Anunciação, responde à proposta do amor divino com o próprio amor esponsal. Uma alegria, que no cumprimento do desígnio divino, alcança o seu vértice.

Sejamos, como bons cristãos, portadores desta alegria!

Referência: Papa João Paulo II, 58 Catequeses do Papa sobre Nossa Senhora. Ed. Cleofas, 8ª Edição, 2017. Lorena-SP