Redemptoris Mater

Uma encíclica mariana escrita por São João Paulo II, que no dia 25 de março, completará 34 anos, está apoiada em motivos fortes que validam sua iniciativa. 1. Vinte anos do Concílio Vaticano II, que trazia um estilo pastoral, aliada a experiência espiritual do Papa; 2. Os dois mil anos do nascimento de Cristo, ao qual deve preceder um Ano Jubilar, com destaque: o advento de Maria, sua mãe segunda a carne e segundo o evangelho. Maria é o luzeiro da alva e da aurora que anuncia e precede o novo sol que é Cristo; 3. O milenário da evangelização da Rússia com o batismo de São Vladimir (988), (cf. nº 49).

O fundamento da encíclica está no cap. VIII da Lumen gentium, mas traz como acréscimo uma espiritualidade própria. Foi escrita treze anos após a exortação apostólica Marialis cultus (1974) e segue suas linhas mestras, com notas e orientações sobre o culto a Virgem Maria, segundo a liturgia reformada e uma religiosidade popular no espírito do concílio.

A Redemptoris mater está envolvida pelas notas trinitária, cristológica e eclesial do Vaticano II, bem como as orientações de Paulo VI na Marialis cultus na áreas: bíblica, litúrgica, ecumênica e antropológica.

Mas, a personalidade, que configura a Redemptoris Mater, podemos encontrar nas seguintes chaves teológicas: 1. Maria como crente, contemplada à luz do mistério de Cristo; 2. Maria no centro da igreja peregrina; 3. Maria glorificada, apontando a mediação materna da mãe de Jesus. Estas chaves mistéricas se comunicam: Cristo-Igreja-Glória. Mas, o mistério central, a que servem Maria e a igreja, é o Cristo. A partir dele iluminam-se ambas.

Com esta encíclica pretende-se: a) glorificar a Jesus, o Verbo encarnado; b) engrandecer o Deus trino; c) glorificar a mãe de Jesus que, por sua maternidade e discipulado, se converte em modelo e ícone escatológico da igreja peregrina.

A encíclica, penetra em suas raízes pessoais, históricas e escatológicas no duplo mistério: Cristo e Igreja. Cristo, cabeça e senhor deste corpo que é a Igreja. E Maria, a mãe desse Cristo integral. Incorporados a Cristo e a Igreja, nós peregrinos, olhamos Maria, como assunta e glorificada com o Filho glorioso nos céus (nº 6).

Salve Maria!

Referência: Dicionário de Mariologia, verbete: Redemptoris Mater, Eliseo Touón Del Pie, OM. Ed. Paulus, 1995.