Escutar

No caminho da ‘obediência da fé’, Maria, um pouco mais tarde, ouve outras palavras: aquelas que foram pronunciadas por Simeão, no templo de Jerusalém”. É nítido a todos, neste tempo quaresmal a escuta da Palavra. Um escutar, um silenciar, um meditar, para agir conforme a vontade de Deus. Este caminho, produz em nossos corações a obediência de fé, apesar da agitação a nossa volta, que nos descentra do caminho, mas o saber ouvir vale muito, pois nos enche de paz e nos traz esperança de querer seguir. Assim, vemos Maria: que “Estava-se já no quadragésimo dia depois do nascimento de Jesus, quando Maria e José, segundo a prescrição da Lei de Moisés, “levaram o menino a Jerusalém, para o oferecer ao Senhor” (Lc 2, 22)”.

A família de Nazaré vai oferecer o Senhor a graça concebida, conforme a Lei. Mas, aqui, uma pausa para São José, que celebramos ontem, que é Pai na obediência, porque soube ouvir a revelação do anjo, e compartilha com Maria. “José foi chamado por Deus para servir diretamente à Pessoa e a missão de Jesus, mediante o exercício da sua paternidade: desse modo, precisamente, ele coopera no grande mistério da Redenção, quando chega a plenitude dos tempos, e é verdadeiramente ministro da salvação” (Redemptoris custos, 8)

Maria e José, obedecem porque escutam e “o nascimento verificara-se em condições de extrema pobreza”. Pobreza que persiste, onde vemos os relatórios atuais das organizações internacionais indicando que os milionários ficaram ainda mais ricos durante a pandemia do coronavírus, principalmente os ligados ao setor digital e de novas tecnologias, que são os maiores beneficiados. Mas, ao mesmo tempo, o surto de Covid acentua as desigualdades sociais aumentando a pobreza no mundo. Precisamos escutar hoje, o que nos diz a ciência, precisamos escutar o que nos diz hoje a Palavra de Deus, uma e outra, juntas, dialogadas nos encaminham a um porto seguro.

Com efeito, sabemos através de São Lucas que, por ocasião do recenseamento da população ordenado pelas autoridades romanas, Maria se dirigiu com José a Belém; e não tendo encontrado “lugar na hospedaria”, deu à luz o seu Filho num estábulo e “reclinou-o numa manjedoura” (cf. Lc 2, 7)”. Foi uma longa e incomoda viagem de Nazaré a Belém, devido à Lei do recenseamento. É a confirmação do ‘Fiat’ de José à luz da obediência a voz de Deus, porque soube escutar.

Assim como Maria foi SIM para Deus, assim como São José foi SIM para Deus, sejamos também SIM, mostrando que o silêncio é a fundamental parte do diálogo com Deus. Pois, Deus gera (gesta) vida e esperança quando abrimos nosso coração. O silencio é a parte fundamental neste diálogo.

Referência: Carta Encíclica Redemptoris Mater nº 16. São João Paulo II, 1987.