Acolher

Lc 9,51-56

No Evangelho de hoje, contemplamos a oposição dos samaritanos, que não o receberam, pois Jesus estava a caminho de Jerusalém. Observamos a falta de acolhida e atitudes de preconceito. Será que agimos como os samaritanos, não acolhendo e não querendo conviver com aqueles que pensam diferentes? – Caminhar com Jesus será um respeitar e acolher as diferenças, em busca da reconciliação.

Os samaritanos eram inimigos dos Judeus. Esta inimizade provinha de que aqueles descendiam da fusão dos antigos Hebreus com os gentios que repovoaram a região da Samaria na época do cativeiro assírio (séc. VIII aC). A este motivo acrescentavam-se outros de tipo religioso: os samaritanos tinham misturado com a religião de Moisés certas práticas supersticiosas, e não reconheciam o Templo de Jerusalém como único lugar onde se podiam oferecer sacrifícios. Construíram o seu próprio templo no monte Garizin, que opunham ao de Jerusalém (cf. Jo 4,20); por esta razão, ao dar-se conta de que Jesus se dirigia para a Cidade Santa, não quiseram dar-lhe hospedagem.

Jesus Cristo corrige o desejo de vingança dos seus discípulos, oposto à missão do Messias que não veio par perder os homens, mas para os salvar (cf. Lc 19,10; Jo 12,47). Deste modo os Apóstolos vão aprendendo que o zelo pelas coisas de Deus não deve ser áspero e violento. “O Senhor faz admiravelmente todas as coisas (…). Atua assim com o fim de nos ensinar que a virtude perfeita não guarda nenhum desejo de vingança, e que onde está presente a verdadeira caridade não tem lugar a ira e, enfim, que a debilidade não deve ser tratada com dureza, mas deve ser ajudada. A indignação deve estar longe das almas santas e o desejo de vingança longe das almas grandes” (São Jerônimo)