Pai Nosso

Lc 11,1-4

No Evangelho de hoje, contemplamos Jesus ensinando a oração do Pai nosso, onde nos pede fidelidade e atenção as coisas do alto. Mas, como os discípulos, devido às nossas fraquezas, dizemos: Senhor, ensina-nos a rezar. Como essa oração toca a nossa vida? – Necessitamos de Seu amor, do pão repartido, da solidariedade que humaniza.

O texto apresentado por São Lucas da oração do Pai-nosso é algo mais breve que o que se contém em São Mateus (6,9-13). Ali especificavam-se sete petições; em São Lucasquatro. Por outro lado, o contexto de São Mateus é o do Sermão da Montanha e, mais concretamente, a explicação sobre o modo de orar; o de São Lucas é um dos momentos em que Jesus esteve a orar. Os dois contextos diferem. Não é de estranhar que Nosso Senhor ensinasse o mesmo em diversas ocasiões e com palavras não literalmente idênticas nem com a mesma extensão, insistindo, porém, nos pontos fundamentais. Como é lógico, a Igreja recolheu a oração dominical na sua forma mais completa, que é a de São Mateus.

“Quando os discípulos pediram ao Senhor Jesus: ‘Ensina-nos a orar’, Ele respondeu pronunciando as palavras da oração do Pai-Nosso, criando assim um modelo concreto e ao mesmo tempo universal. De fato, tudo o que se pode e se deve dizer ao Pai está encerrado nas sete petições que todos sabemos de cor. Há nelas uma simplicidade tal, que até uma criança as aprende, e ao mesmo tempo uma profundidade tal, que se pode consumir uma vida inteira a meditar o sentido de cada uma delas. Porventura não é assim? Não nos fala cada uma delas, uma depois da outra, do que é essencial para a nossa existência, dirigida totalmente a Deus, ao Pai? Não nos fala do ‘pão de cada dia’, do ‘perdão das nossas ofensas, visto que também nós perdoamos’, e ao mesmo tempo de preservar-nos da ‘tentação’ e de ‘livrar-nos do mal’? (Audiência geral João Paulo II, 14.mar.1979).

O primeiro que o Senhor nos ensina a pedir é a glorificação de Deus e a vinda do Seu Reino. Isto é o que realmente importa, o Reino de Deus e a sua justiça (cf. Mt 6,33). O Senhor também quer que peçamos, confiados em que o nosso Pai Deus atenderá as nossas necessidades materiais, pois “bem sabe o vosso Pai Celeste que de tudo isso estais necessitados” (Mt 6,32). De todos os modos, o Pai-Nosso faz-nos aspirar especialmente aos bens do espírito e convida-nos a pedir perdão com a exigência de perdoar, e a afastarmo-nos do perigo de pecar. Finalmente, o Pai-Nosso põe em realce a importância da oração vocal: “Domine, doce nos orare” – Senhor, ensina-nos a orar: E o Senhor respondeu: Quando orardes dizei: “Pater noster, qui es in coelis...” – Pai nosso, que estai no Céu…

Venha o Teu Reino”: Por Reino de Deus entendemos um triplo reino espiritual:

  • O Reino de Deus em nós que é a graça, para que nos conserve unidos a Ele com as virtudes da fé, da esperança e da caridade, pelas quais reina no nosso entendimento, em nosso coração e na nossa vontade;
  • o Reino de Deus na terra, que é a Igreja, para a salvação dos homens.
  • e o Reino de Deus no Céu, que é a bem-aventurança, para que na glória sejamos completamente felizes.