Lumen Gentium: capítulo VIII

O capítulo final da Constituição sobre a Igreja é o texto mariano mais importante da História dos Concílios ecumênicos. Pois, até a época do Concílio, os textos definidos pelo Magistério, apenas, tratavam dos privilégios de Maria: Maternidade divina, a conceição imaculada, a assunção aos céus. Mas, foi no Vaticano II, a primeira vez que foi apresentado uma síntese tão vasta da doutrina católica, sobre o lugar que Maria Santíssima ocupa no mistério de Cristo e da Igreja.

Vale ressaltar, que o Vaticano II não pretendia propor uma doutrina completa sobre Maria (cf. LG, 54). Mas, segue a orientação do Papa João XXIII (†1963), que não queria um tratado de teológico de Mariologia, mas sim, que se expusesse em linguagem contemporânea a doutrina católica a respeito de Maria.

Não foi proclamado um novo dogma, como alguns esperavam. Pois, alguns padres conciliares desejava uma nova definição dogmática, como: “Mediação de Maria”; sua “Maternidade espiritual”, seu papel de “Correndentora” ou a “Realeza de Maria”. A finalidade do Concílio era mais pastoral do que dogmática. Dizia o Papa João XXIII ao abrir o Concílio: “O importante, hoje, é exprimir a doutrina católica de uma forma que se responda às exigências do nosso tempo”.

Esta atitude do Concílio contrasta com o intenso fervor mariano que o tinha precedido. Pois, as definições dogmáticas da Imaculada Conceição (Pio IX, 1854) e da Assunção de Maria (Pio XII, 1950), bem como as aparições marianas (Lourdes, 1858; Fátima, 1910), havia suscitados em toda a Igreja um grande fervor mariano. O Concílio optou por uma linha menos devocional e mais bíblica, patrística e litúrgica. Atitude que favorece uma melhor compreensão da doutrina católica por parte dos protestantes.

Na realidade o Concílio Vaticano II não se propõe a fazer condenações formais dos “erros modernos” e nem diminuir a importância de Maria na História da Salvação, conforme disse o Papa João XXIII, no discurso na abertura solene do Concílio: “a esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia ao da severidade”. Mas, apresenta Maria de maneira organizada, integrando-a nos temas centrais da Economia da Salvação, como a Trindade e o Verbo Encarnado.

A teologia mariana do Concílio é trinitária e cristocêntrica, pois toda a vida de Maria está a serviço da missão do Filho, enviado pelo Pai e concebido por obra do Espírito Santo. Desde sua conceição imaculada, Maria foi já “enriquecida com a sublime missão e dignidade de ser Mãe do Filho de Deus, é por isso filha predileta do Pai e sacrário do Espírito Santo” (LG 53).

Fonte: Luiz Gonzalez-Quevedo,SJ. Maria e a Igreja no Concílio Vaticano II; ITAICI – Revista de Espiritualidade Inaciana – 88 (junho/2012).