ALGUMAS ANOTAÇÕES (EE 1-20) SOBRE A ORAÇÃO NOS EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS

1. Disposição inicial ao entrar em retiro: Santo Inácio recomenda que “é de grande vantagem para quem faz os exercícios, entrar neles com grande ânimo e generosidade para com seu criador e Senhor, oferecendo-lhe todo o seu querer e liberdade, para que sua divina Majestade disponha de sua pessoa e de tudo quanto possui, conforme a sua santíssima Vontade” (EE 5). Esta disposição é uma graça a alcançar e a pedir em cada oração preparatória. Esta consiste em pedir a graça para que todas as minhas intenções, ações e operações sejam dirigidas unicamente ao serviço e louvor de Deus Nosso Senhor (EE 46).

2. Tempo de Oração: “É preciso sempre procurar que o ânimo fique satisfeito com o pensamento de Ter consagrado uma hora inteira ao exercício, e antes mais do que menos” (EE 12). Este esforço de dedicar exclusivamente ao Senhor esta hora inteira é um sinal de generosidade e um colocar-se à disposição da ação do Espírito. Neste sentido é um ato de fé no poder da ação de Deus em nós. A oração continuada faz esperar a solução de Deus e não de meus raciocínios.

3. Preparação para a oração: “Antes de entrar em oração, é mister descansar um pouco o espírito, sentado ou passeando… perguntando aonde vai e a quê” (EE 239). Com isso, a um tempo o corpo se acalma, o espírito se concentra e o coração se abre. O êxito na oração depende em grande parte desta preparação que engloba vários pontos:

  • Decidir e encontrar o lugar e a posição adequada à oração;
  • Fazer a oração preparatória que me coloca na disposição inicial;
  • Escolher o texto que quero meditar ou contemplar;
  • Colocar-me com realismo na presença do Senhor. Cada um terá o seu modo peculiar de realizar esta presencialização;
  • Fazer a petição ou graça especial que quero conseguir nesta meditação e que depende de cada fase dos exercícios.

4. Durante a Oração: “Não é o muito saber que satisfaz e sacia a alma, mas o sentir e saborear as coisas no íntimo do coração”(EE 2). A verdadeira oração não consiste em belas ideias mas em “ruminar” no coração aquele ponto da palavra de Deus que mais me chegou. Por isso Santo Inácio aconselha “a descansar no ponto em que encontra o que pretende, sem pressa de passar adiante, até sentir-se satisfeito”(EE 76). Se o Senhor toca a vontade e a afetividade com relação a algum ponto, significa que quer ensinar ou chamar a atenção de algo. Por isso é necessário estar atento e não passar adiante para descobrir qual é sua vontade. Isto explica porque Santo Inácio insiste tanto nas repetições, isto é, voltar a considerar na oração aqueles pontos que mais me trouxeram consolação. Um ponto bem saboreado dá acesso e ilumina todos os outros e ajuda a fazer uma síntese só existencial.

5. Colóquio Final: No fim da Oração, o coração é convidado a repousar no sentimento da realidade que Deus lhe comunicou. É a prece do coração, o colóquio com o Senhor, no qual cada um diz o que bem entende dentro do maior respeito e amor. Santo Inácio recomenda que seja “um falar como um amigo fala com seu amigo” (EE 54). É um colóquio mais explícito com o Senhor que recolhe o conteúdo da oração feita em forma de oferta ou ação de graças pelo que foi descoberto ou também de petição de força pelo que se mostrou como exigência.

6. Revisão da Oração: É tão importante quanto a preparação. É dar-se conta de como Deus agiu em mim durante o tempo de oração e qual foi a minha atuação em colocar as condições. Pontos que podem ajudar para esta revisão:

  • Quais os sentimentos dominantes durante minha oração?
    • Positivos: paz, alegria, confiança, ânimo, coragem, abertura, experiência do sentido da vida?
    • Negativos: angústia, tristeza, desconfiança, desânimo, fechamento, obscuridade, confusão?
  • Quais os versículos da Escritura ou pensamentos que mais me marcaram?
  • Que pontos ou aspectos compreendi, entendi melhor ou ficaram mais claros para mim?
  • Que apelos, impulsos, inspirações, desejos, iluminações experimentei durante a oração?
  • Já antes, em alguma ocasião ou época da minha vida havia sentido algum apelo… desejo… idêntico? Quando? Como respondi a ele até hoje?
  • Senti resistências, repugnâncias, medos diante desses apelos? Por quê?
  • Anotar o que lhe parecer mais significativo para você.
  • A conversa com o(a) orientador(a) será sobre estes pontos.
José Roque Jungues, S.J.